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 aU | Arquitetura & Urbanismo
 
 
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ANATOMIA DA FÁBRICA
COMO SE FOSSE UM ESTUDO DE ORGANISMOS VIVOS, UM PROJETO PARA INDÚSTRIAS EXIGE ANÁLISE DETALHADA DE FUNÇÕES E DE NECESSIDADES EM CADA SETOR DA LINHA DE PRODUÇÃO. A COMUNICAÇÃO EFICIENTE ENTRE OS SETORES GARANTE LINEARIDADE E LIMPEZA DO PROCESSO PRODUTIVO

POR GIOVANNY GEROLLA


Edifícios industriais já são mais do que a velha imagem dos galpões da virada do século 20. Mudaram, por exemplo, na aplicação de materiais que garantem isolamento termoacústico, limpeza e segurança, na transparência de todo o processo produtivo, na relação do público com a linha de montagem. O design dá formas que ultrapassam os limites do tão conhecido galpão para unir programa de uso a resultados estéticos positivos.

Mais do que nunca, a perfeita simbiose entre cliente e arquiteto é essencial. "É preciso estudar o programa e as exigências da unidade produtiva com precisão e metodologia, para que nenhuma necessidade seja esquecida", afirma Erica Yoshioka, professora do Departamento de Tecnologia da FAU-USP. De acordo com Erica, é preciso produzir um organograma que deixe claro ao arquiteto todas as possíveis etapas da linha de produção e suas respectivas relações com o espaço. Assim, o profissional pode estudar, em cada uma das etapas, interferências desejáveis ou indesejáveis - e, a partir daí, especificar soluções como isolamento termoacústico, entrada de iluminação natural, segurança contra fogo ou contaminação (por material orgânico ou inorgânico), facilidade de limpeza ou manutenção, facilidade de locomoção entre setores fabris e administrativos, comunicação entre funcionários e até área privativa, como cozinha, vestiários e banheiros.

A íntima relação do espaço com o produto final da fábrica impossibilita a "padronização" de projetos industriais. "O programa de uso não é padrão. É muito diferente de se projetar um hotel, por exemplo, cujo uso é previsto. O arquiteto desconhece seu objeto de estudo e necessita do apoio de consultorias", relata o arquiteto Carlos Bratke. Segundo o arquiteto, a direção dada ao projeto depende também da intenção do cliente: se o que se busca é uma combinação mais requintada entre funcionalidade do edifício e seu valor estético, por exemplo, se todas as funções estão agrupadas em um único bloco de setores, ou se o espaço abrigará equipamentos sofisticados, como robôs em linhas de montagem, ou máquinas simples que auxiliem em uma produção mais artesanal.

A aplicação de materiais deve levar em conta, ainda, a rapidez e a limpeza com que a obra tenha de ser executada, além de tópicos como impermeabilidade de pisos e paredes, assepsia, ou mesmo a existência de salas subterrâneas que escondam exaustores, aparelhos de ar-condicionado, tubulações, ou que dêem acesso à manutenção do maquinário mais pesado.

 

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Edição 151 - 9/10/2006
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