É cada vez mais comum a incorporação de quiosques de alimentação ou estações de vendas variadas em edifícios de escritórios. Sorte de arquitetos e designers que podem ampliar o mercado de atuação, realizando projetos específicos para esses espaços. Um dos mais recentes do gênero é o Fran's Café Station, que pretende levar a marca e o padrão de serviços da rede Fran's Café para pontos de venda instalados em áreas comuns de edifícios multiuso, como já ocorre no piso térreo do Edifício Paulista 1 e dos Birmann 11 e 12, todos em São Paulo.
O arquiteto Roberto Terlizzi (11 5561-3642) é o principal responsável pelo desenho da unidade batizada de Station. A rede já era cliente de seu escritório, o Atelier de Urbanismo e Arquitetura de São Paulo, que há quatro anos faz a padronização visual, de arquitetura e de mobiliário das lojas e franquias da marca. "Há mais de um ano pediram para fazer algo diferente, atendendo a esse novo nicho de mercado", conta Terlizzi. Assim surgiu a Station, que consiste em uma peça padrão e independente da estrutura do edifício: até o fornecimento de água é próprio.
A estação tem espaço para um atendente, máquinas para preparar café, refrigerador e demais itens que assegurem o padrão similar das lojas da rede. "É uma estrutura neutra que se integra à arquitetura de qualquer ambiente. Os materiais têm cores sóbrias, com revestimento que reproduz madeira escura, além de aço escovado, vidro e granito", informa o arquiteto.
O Atelier de Urbanismo e Arquitetura de São Paulo atua desde 1980 com projetos residenciais, design de peças promocionais, padronização arquitetônica e comunicação visual também para hotelaria e eventos. Design para a inclusão social
A arquiteta Melissa Szuster Wagman (11 4163-6926, mswarquitetura@uol.com.br) tem um projeto ousado para o início de 2005: quer ensinar comunidades carentes a fabricarem móveis, luminárias e utensílios com materiais reciclados.
A idéia está se desenvolvendo há alguns anos na prancheta da arquiteta, que já criou croquis de peças de fácil fabricação e de ferramentas para a produção. "A proposta não é reverter recursos para assistência social, mas proporcionar aprendizado e oportunidade para que essas pessoas consigam seus próprios recursos", explica Melissa. A matéria-prima inclui garrafas PET e pó de papel, entre outras sucatas. "O pó de papel não é utilizado pela indústria. Eu quero aproveitá-lo e reciclá-lo com resina epóxi para a produção de peças de design", conta.
Alguns protótipos estão em testes e as pesquisas incluem a aplicabilidade de materiais reciclados em cada produto, além de ferramental de baixo custo. Após os testes, a profissional pretende compartilhar a idéia com o maior número possível de entidades que possam apoiar o projeto. "Um grupo da comunidade receberá as ferramentas de produção, o conhecimento das técnicas e o desenho do objeto. A matéria-prima virá do lixo e a renda dos produtos voltará para a equipe de produção,sem intermediários", idealiza.
Formada pela FAU-Mackenzie em 2000, Melissa sempre esteve interessada em design industrial: ainda estudante, chegou a criar protótipos de luminárias para uma mostra em São Paulo. A arquiteta conquistou o segundo lugar no prêmio Abilux Industrial de Design 2003 com o protótipo da luminária de mesa Hélica, que há poucos meses foi colocada em produção pela empresa Mowag Móveis. A peça mistura inox e acrílico com duas possibilidades de iluminação: fluorescente ou por fibra ótica. Uma nova coleção de luminárias de mesa, de piso e arandelas está em projeto, também utilizando lâmpadas de baixo consumo.