Ter ou não ter? Vale a pena transitar por aí carregando em uma maleta um caro "segundo cérebro" que pode saber tudo de você e mais um pouco?
Texto original de Eduardo Sampaio Nardelli
Madrugada de uma morna segunda-feira de novembro. Meio mareado pelo jetlag e pela difícil digestão de um típico prato chileno de frutos do mar, procuro pela minha bagagem na estonteante esteira do Aeroporto Internacional de Guarulhos. Na mão, a inseparável maleta executiva, devidamente travada por um segredo que tenta proteger a preciosidade ali armazenada: o meu notebook.
Aguardo que a esteira me traga toda a bagagem à mão e, assim que chega, organizo tudo cuidadosamente no carrinho, de modo que a maleta executiva ocupe o lugar mais seguro.
Não é pra menos. Ali dentro estão preciosas informações que não podem ser perdidas, entre elas, a apresentação eletrônica que fiz no congresso da SiGRaDi, a última versão do edifício que projetei online com o pessoal do escritório enquanto estava fora e, por que não, a minha agenda de contatos pessoais, o gerenciamento do meu orçamento doméstico, um sem número de informações confidenciais, mensagens eletrônicas pessoais e profissionais, os arquivos de toda a papelaria do escritório - incluindo o book de apresentação, com os projetos mais significativos - planilhas e orçamentos, e por aí afora.
Muito mais do que os cerca de 5 mil reais pagos pelo equipamento (que eu havia deixado para segurar na volta do congresso), o material convertido em bits e armazenado em meu laptop representava um patrimônio de valor inestimável, acumulado ao longo de anos de estudo e de trabalho.
Por esse motivo, na hora de voltar para casa eu lembrei da advertência divulgada pelo Jornal Nacional a respeito do crescente número de assaltos que os táxis que servem ao aeroporto (e a seus passageiros) vinham sofrendo e, zeloso (e também por um pouco de avareza, devo reconhecer), optei pelo ônibus do Airport Service, que faz a ligação entre o Aeroporto Internacional de Guarulhos e os hotéis de São Paulo. E lá fui eu, me sentindo seguro e econômico, de volta pra casa.
Ao chegar em São Paulo, porém, um pequeno detalhe: à uma hora da madrugada de segunda-feira não há táxis nos pontos. Assim, não me restou alternativa senão aceitar o serviço do único taxista disponível, que vinha acompanhando o ônibus desde a entrada da cidade.
PDAs e Pocket PCs são capazes de executar quase todas as tarefas de um bom micro, como editar textos, acessar a internet e, até mesmo, fazer apresentações eletrônicas
Gentil, com uma aparência ótima, o solícito motorista acomodou a minha bagagem no carro, inclusive a minha preciosa maleta - que, naquele instante, por uma única e exclusiva vez, afastou-se de mim. Ao chegarmos em minha casa, mais uma vez o taxista fez questão de descarregar o veículo, auxiliado pelo não menos gentil porteiro do meu prédio. Terminado o serviço, seguiu em frente com seu táxi, levando ainda a generosa gorjeta que fiz questão de pagar. Eu mesmo, enquanto isso, subi para o meu apartamento e tirei tudo do elevador, sem maior atenção, e fui deitar exausto, matando as saudades da minha querida cama.
No dia seguinte, cadê o notebook?!
Nunca mais o vi, nem ele nem as preciosas informações, que precisei refazer uma a uma e que, às vezes, até hoje, passados dois anos, ainda me fazem falta...
Sem falar na paranóia que alimentei durante um bom tempo sobre o possível destino das minhas informações confidenciais, como senhas, documentos, extratos bancários e coisas assim...
Um incidente doloroso que me fez rever meus conceitos. Vale mesmo a pena ter um notebook? Não sei.
Em 1997, quando comprei o meu primeiro equipamento (um valente Toshiba de 16 Mb de RAM e 120 Mhz que até hoje presta serviços como editor de textos e como sofisticado brinquedo nas mãos da minha caçula de dez anos de idade), não havia micros por toda parte. A internet engatinhava e nem se podia imaginar que, num belo dia, qualquer um de nós pudesse transportar cerca de 750 Mb num CD guardado no bolso e gravado em casa pelo filho mais novo...
Sem falar no simples chaveiro que, conectado à USB do seu micro, é capaz de armazenar outros tantos 64 Mbs de informação.
E que dizer então dos atuais PDAs ou Pocket PCs, equipamentos simples, leves, que cabem no bolso da sua camisa e que, no entanto, são capazes de executar praticamente todas as tarefas cotidianas de um bom micro, como editar textos, acessar a internet, criar e gerenciar tabelas e, até mesmo, fazer apresentações eletrônicas?
Decidi experimentar. Substituí o notebook furtado por um poderoso - e mais barato - computador de mesa, ao qual mantenho acoplado o console de comunicação de um PDA, intercambiando os dados do dia-a-dia, como se fosse um módulo avançado da minha configuração doméstica. E, posso afirmar, estou plenamente satisfeito.
Há uma infinidade de modelos no mercado, produzidos pela Palm, Sony, Handspring, HP, Toshiba, Dell e ViewSonic, capazes de atender desde o usuário "light" até o mais aficionado "micreiro", que podem ser conhecidos detalhadamente (e eventualmente comprados) no site http://www.pdabuyersguide.com. Sem contar a grande variedade de periféricos, como teclado dobrável e mouse, eles podem fazer do seu PDA um verdadeiro micro que, literalmente, cabe em seu bolso!
Além disso, Pocket PCs ou PDAs podem se tornar grandes companheiros de viagem, executando músicas em MP3, fazendo fotos digitais de boa qualidade ou simplesmente funcionando como exclusivos vídeo games que podem transformar terríveis chás de cadeira em animadas sessões de lazer.
Por fim, já está disponível no mercado brasileiro o PDA com celular que, através de uma conexão GSM, permite acesso remoto e direto à internet, por cerca de 2 mil reais. Um serviço que realiza a profecia de Nicholas Negroponte em seu livro Being Digital, para quem, na vida digital, quem deve se mover são os bits da informação e não os átomos.
Desse modo, hoje em dia me parece um contra-senso andar por aí com poderosos, pesados e caríssimos computadores, cheios de preciosos dados de seus usuários, apenas para transportar apresentações eletrônicas, editores de texto ou agendas pessoais. A opção por um notebook, atualmente, só pode encontrar justificativa em aplicações muito específicas.
Se você não encontra esta justificativa, então esqueça e opte sem remorso por um PDA ou Pocket PC. O presente aponta para o sucesso de equipamentos portáteis leves, econômicos e interativos que, conectados remotamente à internet, já permitem aos seus usuários infinitas possibilidades de acesso à informação.
Atalho
Flash MX 2004 para iniciantes Lançado recentemente pela Editora Érica, Flash MX 2004: Criando e Animando para a Web, de Fabrício Manzi, objetiva capacitar os usuários iniciantes na utilização do mais famoso software de animação para internet, explicando também os novos recursos introduzidos pela Macromedia na versão Flash MX 2004. O preço sugerido é R$ 65,00.
Era uma vez o Win98 Desde o dia 15 de janeiro, a Microsoft deixou de dar suporte técnico ao Windows 98, embora este ainda seja um dos sistemas operacionais mais utilizados em todo o mundo. O jeito agora é migrar para um sistema mais atualizado, ou recorrer a quem tenha um banco de dados com as soluções já oferecidas ao público pela empresa.
Música para a tribo Mac Aconteceu no início do ano, durante a Macworld: Steve Jobs lançou a iPod Mini, um minúsculo MP3 player com capacidade para mil músicas e compatível com Windows e Mac Os. Junto do pequeno aparelho também foi lançado o GarageBand Jam Pack, um software que permite aos usuários criarem suas próprias composições - ou arranjos personalizados para as composições já existentes - pela simulação de sons. www.macworld.com
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