Jogo preciso Texto original de Eliane Quinalia Fotos Divulgação
Materiais adequados aplicados em pisos de quadras e pistas esportivas proporcionam melhor desempenho dos atletas
Praticar esportes requer não só preparo físico, mas também equipamentos e pistas adequados. Um bom piso pode determinar o desempenho do atleta em uma competição e evitar lesões. Por essa razão, cada modalidade pede um tipo específico de material. É fundamental que o piso esportivo atenda a requisitos básicos como o de absorver impactos e gerar impulsão. "Recomenda-se que o material utilizado devolva a energia absorvida no amortecimento em forma de impulso, isso é importante para as atividades de impacto e impulsão", explica Antonio Masseo de Castro, médico-assistente do Cemafe (Centro de Medicina da Atividade Física e do Esporte) e do setor de joelho do departamento de ortopedia e traumatologia da Escola Paulista de Medicina.
Lombalgias e tendinites são queixas freqüentes em atletas que treinam em pisos de cimento áspero utilizados nas chamadas quadras rápidas. "A aderência é tão grande que ao frearmos sentimos impactos (trancos) no corpo e nos tendões", explica Masseo. Segundo o próprio médico, dores no joelho, região lombar e calcanhares são comuns quando se pratica esportes como corridas em pisos de cimento duro.
Tipos de piso Um piso deve transmitir conforto e segurança para o atleta. Atualmente, o mercado nacional dispõe de variados produtos nessa área, o que contribui, inclusive, para a evolução do esporte brasileiro. "O fato de empresas disponibilizarem novos sistemas e se atualizarem constantemente ajuda muito", diz Eduardo de Castro Mello, arquiteto com vasta experiência em projetos esportivos.
Para definir o melhor local para instalar uma quadra, campo ou pista descoberta é preciso que a área da implantação tenha seu eixo longitudinal paralelo ao eixo norte-sul. "Desse modo, os raios solares não prejudicam o desempenho dos jogadores", explica Castro Mello. O segundo ponto a ser observado é definir a quais modalidades esportivas a quadra deve atender.
Dentre os tipos de revestimento disponíveis hoje, os de base asfáltica são muitas vezes preferidos aos cimentícios por serem mais macios. Os asfálticos são feitos com camadas de pedra e brita misturadas com derivados de petróleo, e exigem acabamento em pintura com tinta acrílica. A maior queixa em relação aos cimentícios diz respeito à sua incapacidade de absorver impactos. Contudo, como são resistentes, podem ser utilizados em áreas externas para qualquer tipo de evento.
Castro Mello comenta que o piso flutuante, feito com réguas de madeira dispostas sobre uma cama amortecedora, atende a diferentes atividades e modalidades esportivas como basquete, vôlei e futebol de salão sem trazer riscos de prejuízo aos atletas - mas deve ser aplicado apenas em quadras cobertas. As tábuas são encaixadas umas nas outras por sistema macho-e-fêmea e fixadas nos barrotes com pregos. Por ser um piso caro, recomenda-se que a quadra de madeira tenha sua superfície protegida por um piso removível, uma espécie de tapete feito à base de borracha, poliuretano ou PVC.
Feitos de resina poliuretânica com grânulos de neoprene, os pisos monolíticos absorvem bem impactos e dispensam acabamentos. Já os sintéticos são recomendados por amortecerem impactos e protegerem os usuários nas quedas, além de oferecerem diversidade de cores e soluções para evitar reflexão de luz, características importantes quando os jogos forem transmitidos pela TV.
Há várias tecnologias para execução de pistas de atletismo, mas todas possuem superfícies rugosas e antiderrapantes. As mais comuns são as moldadas in loco e as mantas de borracha natural. A primeira é produzida a partir de uma camada de grânulos flexíveis de borracha SBR, com camada de fundo colorido de resina poliuretânica e acabamento colorido de poliuretano de alta resistência. Os mais sofisticados usam a mesma base, mas o acabamento é texturizado com resina de poliuretano colorida e grânulos finos de EPDM. Já as mantas de borracha natural são fornecidas em rolos que são justapostos e colados com juntas imperceptíveis.
Utilizado em quadras de tênis, o saibro é indicado para quem deseja tornar o jogo mais lento. Constituído de terra compactada, leva uma camada de pó de telha na superfície, o que permite ao jogador deslizar e ter mais movimentos na quadra. Apesar de seu custo ser relativamente menor que os de quadras sintéticas, sua manutenção é rigorosa e deve ser diária.
"Apesar de apresentar materiais e instalações de excelente nível, equiparando-se aos existentes na América do Norte e Europa, o grande problema brasileiro está no custo da execução e manutenção de suas pistas e quadras", encerra Mello.
Desenvolvimento tecnológico Revestimentos flutuantes de madeira compostos por placas desmontáveis, semelhantes às utilizadas nos jogos da NBA (National Basketball Association), a rica e famosa liga norte-americana de basquete, são a grande inovação do segmento de pisos esportivos. Eduardo Castro Mello comemora também o desenvolvimento de pisos em mantas de material sintético. "São os mais modernos e permitem uma maior flexibilidade de usos dos ginásios", diz.
Outro segmento que evoluiu muito são as gramas sintéticas para o futebol - até a poderosa Fifa já está autorizando o emprego desse material em alguns campos de difícil manutenção. Em geral, os gramados artificiais têm entre 50 mm e 55 mm de altura e, assim como nos campos de grama natural, é preciso prever uma camada drenante feita de pedra com material betuminoso para aglomerar vazios e evitar empoçamentos. Equipamentos esportivos
As quadras oficiais devem atender aos regulamentos internacionais de cada tipo de esporte. É esse regulamento que determina as dimensões (máxima e mínima) das marcações das quadras e de suas faixas de segurança, inclusive das laterais e fundos da área de jogo. É importante, também, seguir as orientações quanto ao tipo de piso, à altura interna de quadras cobertas,e aos acessórios como tabelas de basquete, postes e redes de vôlei, gols e balizas de futebol de salão e handebol.
Todo o espaço esportivo deve ser o mais flexível possível. É cada vez mais recomendado que os equipamentos de uma quadra poliesportiva, por exemplo, sejam móveis. As tabelas de basquete já contam com um sistema hidráulico que facilita o seu deslocamento, deixando a quadra livre para outras atividades. "Para ginásios menores há tabelas rebatíveis, fixadas em paredes, que não atrapalham os movimentos dos demais jogos", ensina o arquiteto Eduardo de Castro Mello.
A remoção dos postes para fixação de redes de vôlei requer a utilização de um sistema de vedação dos orifícios que obrigatoriamente ficam no piso. O mais recomendável para que não haja prejuízo das atividades é usar uma tampa de inox ou latão com a parte superior, aparente, feita do mesmo material de acabamento da quadra. "Os arquitetos devem exigir dos fornecedores ou fabricantes um certificado de homologação das respectivas federações internacionais para assegurar que o material utilizado foi especificado corretamente", acrescenta o arquiteto.
Os jogos oficiais também requerem iluminação especial. Nas laterais das quadras devem existir postes de iluminação com altura e inclinação específicas para não ofuscar a visão dos atletas e do público que acompanha a partida. Em jogos transmitidos pela TV, deve existir uma maior quantidade de luz, por isso utilizam-se os projetores. "Para uma boa qualidade de transmissão, o índice de luminosidade deverá ser de 1,2 mil lux", informa Castro Mello.
Poliesportivo da PUC-RS
O novo edifício Poliesportivo da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul foi desenvolvido em 2003 pelos arquitetos Cícero Santini e Henrique Rocha. O ginásio tem quadras poliesportivas bastante complexas, criadas com o objetivo de atender às necessidades de professores, técnicos e atletas que exigiam pisos de madeira flutuante com sistema de absorção de impacto bastante desenvolvido.
Segundo Santini, a realidade do primeiro mundo é diferente da nossa, "não especificamente quanto aos materiais disponíveis, mas na constante preocupação com manutenção preventiva dos espaços físicos", o que garante a durabilidade e o desempenho dos sistemas instalados. Santini diz ainda que uma dificuldade apresentada por atletas é a diversidade de pisos utilizados no Brasil. "Os revestimentos variam muito de um ginásio para outro. Há sistema de pintura, madeira, tacos de madeira, vinílico em manta ou placas, e cada um se adapta melhor a determinados tipos de calçados esportivos, que podem ter bom desempenho em alguns casos e péssimo em outros - e isso muitas vezes é interpretado como deficiência do piso esportivo", conclui.
TRADICIONAL
Feita em base asfáltica com revestimento em acrílico/vinílico, a quadra de tênis da Lisonda equipa os resorts da Costa do Sauípe, na Bahia. O fabricante promete durabilidade de cor e baixa manutenção. MO 55901
POLIESPORTIVA
A quadra poliesportiva da Associação dos Funcionários da Usina de Cidade Gaúcha (Adeciga), no Paraná, tem revestimento vinílico aplicado sobre concreto, além de acabamento em verniz poliuretano acetinado colorido. Da Sport Piso. MO 55903
SAIBRO
A Lisonda usa saibro especial da região de Jabotical, no interior de São Paulo, para executar a quadra de tênis. O material exige mão-de-obra especializada e orientação na manutenção. MO 55902
ENVERNIZADO Piso de ipê com revestimento de verniz poliuretano autobrilho em cores, da Plastimper, aplicado na quadra da Secretaria de Esportes de Florianópolis pela Sport Piso. MO 55904
MONOLÍTICO
Com mantas pré-fabricadas de borracha, o piso monolítico Reguflex PU, da Recoma, é coberto com resina de poliuretano autonivelante. Na foto, o material encontra-se aplicado no ginásio da Embraer, em São José dos Campos, SP. MO 55911
ACADEMIA
Flexível e sem juntas, o piso em poliuretano da Lisonda pode ser encontrado em diversas cores. Segundo o fabricante, o material é durável, impermeável e pode ser empregado em salas de ginástica e áreas de musculação. Na foto, o modelo Lisolac aplicado na academia Runner, em São Paulo. MO 55899
LAZER
Indicado para ginásios poliesportivos, o revestimento colorido Gobercryl com poliuretano, da Gober, tem superfície lisa e propicia uma melhor higienização. Na imagem, o produto aplicado na quadra do Colégio Virgem Poderosa, no Ipiranga, em São Paulo. MO 55905
COLORIDA
O piso esportivo flexível de poliuretano autonivelante, da Durocolor, pode ser moldado no local. É indicado para academias, quadras esportivas cobertas e espaços internos de recreação. O material tem superfície lisa, anti-reflexiva e isenta de poros. Em diversas cores, inclusive tons especiais. MO 55912
ATLETISMO
Aplicado no Estádio Célio de Barros, no Rio de Janeiro, o Lisotan SM é um piso sintético flexível, indicado para uso em pistas de alto rendimento. O material é composto de borracha granulada, poliuretano e acabamento granular em EPDM fundido no local. Da Lisonda. MO 55900
MADEIRA
Com 11 m x 19,50 m, a quadra do Colégio Augusto Laranja, em São Paulo, tem piso flutuante executado pela SF Quadras. A empresa é responsável pelo fornecimento e instalação de barrotes de ipê e pastilhas de borracha, além da aplicação do verniz poliuretano em toda a superfície. MO 55908
FLEXÍVEL
Da Recoma, o piso flexível de madeira Recoma Flex Premium aparece aplicado no Ginásio Municipal de São Bernardo do Campo, SP. O produto possui sistema de amortecimento dotado de chapas de compensado naval sobre barrotes flexíveis. MO 55910
SINTÉTICA
Grama sintética aplicada pela Sport Grass no campo do São Paulo Futebol Clube, em São Paulo. Com medidas totais de 106 m x 69 m e área de jogo de 100 m x 64 m, o campo possui um total de 7.314 m² de grama sintética de 63 mm, com sistema Just Rubber de absorção de impactos. MO 40611
OFICIAL
Exclusiva para a prática de tênis, a quadra da Equyplan tem piso em base asfáltica com revestimento colorido, rugoso e antiderrapante. Segundo o fabricante, o material é de fácil manutenção. Na foto, quadra do Clube Monte Líbano, em São Paulo. MO 55906
TÊNIS
Opção em piso sintético da SF Quadras, composto de base asfáltica e acabamento com duas camadas uniformes e texturizadas na cor verde. De acordo com o fabricante, o revestimento é durável e tem proteção contra a radiação solar. Na foto, as quadras do Hotel Bourbon, em Atibaia, SP. MO 55907
VELOCIDADE MÉDIA
A quadra de tênis da Jota Ponto possui piso em base asfáltica e acabamento emborrachado Unacouch. O fabricante explica que o material torna o piso mais macio, o que diminui a velocidade do jogo, se comparado com as quadras de base asfáltica e saibro. MO 55913
ABSORÇÃO
Localizada na capital gaúcha, a pista de atletismo da Sociedade de Ginástica de Porto Alegre tem 5.880 m e foi executada com piso Regupol AG - Super Track, importado da Alemanha pela Recoma. Segundo a empresa, o material utilizado absorve melhor o impacto, evita lesões e promove a performance do atleta. MO 55909