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Tecnologia & Materiais


Toque final
Argamassas de revestimento permitem agilidade em obra e dão resistência e plasticidade às fachadas e interiores de edificações. A especificação, no entanto, exige cuidados



O padrão da obra, o estilo arquitetônico, o tempo de entrega, as interfaces com subsistemas como alvenaria e a estrutura que servirá de base: tudo isso deve ser levado em conta na especificação da argamassa mais indicada para o revestimento da obra.

Nessa hora, é importante ter um projeto específico para o revestimento, que deve contemplar o conjunto de aspirações do proprietário e dos usuários, envolvendo necessidades, exigências e procedimentos, apresentados de forma compreensível para se proceder à execução, como explica Eleana Patta Flain, professora da FAU Mackenzie. "Para a especificação da argamassa de revestimento, o projeto deve respeitar o processo construtivo envolvido, os detalhes e outros materiais que também fazem parte do revestimento", completa.

Quando se fala em argamassa industrializada, uma das principais recomendações é observar a composição e as especificações tanto para uso interno quanto externo, respeitando o grau de resistência que cada local exige, devido às condições às quais a argamassa será submetida - independentemente da marca e do produto.

Dentre os tipos disponíveis de argamassas industrializadas estão: a cimentícia, as acrílicas e a monocapa ¿ esta última já vem pigmentada e substitui emboço e reboco. A diferença básica entre a cimentícia e a acrílica está na composição. Enquanto o aglomerante utilizado na cimentícia é o cimento Portland, na acrílica é um polímero acrílico.

Desse modo, o acabamento da argamassa cimentícia apresenta maior espessura e resistência, pois é resultado da mistura de cimento estrutural, quartzo branco, aditivos e pigmentos especiais. "Ao ser misturada em água, a argamassa cimentícia forma um material pastoso e homogêneo, pronto para aplicação. O seu tempo de cura está diretamente relacionado às características de produtos de cimento", conta Alberto Monteiro Junior, diretor presidente da Argamont. Outra característica da cimentícia, que apresenta custo superior ao acrílico, é o fato de ser uma substância mineral, porosa, cuja troca de água com o meio externo garante por mais tempo a integridade da superfície em que foi aplicada.

A argamassa acrílica, por sua vez, é composta de resina acrílica, agregados e aditivos que possibilitam acabamentos com maior opção de cores, tonalidades fortes e vibrantes. Possui aspecto de uma pasta cremosa, que deve ser aplicada sobre o emboço. Devido à fina espessura (cerca de 5 mm), o produto pode apresentar manchas, bolhas e deformações em curto prazo, principalmente em locais suscetíveis a intempéries, poluição e raios solares.

Mas o Brasil ainda está em um estágio primário em relação ao uso da argamassa industrializada. Segundo dados da Associação Brasileira de Argamassas Industrializadas (Abai), atualmente esse produto representa cerca de 5% de utilização de argamassas de revestimento. A explicação, segundo a associação, se deve à cultura brasileira de construção, acostumada a fazer a argamassa virada na obra e aplicação em várias camadas.

As expectativas, no entanto, são boas. E o que deve aquecer o mercado das argamassas industrializadas são as exigências da indústria da construção civil quanto aos padrões de qualidade, racionalização da construção e rapidez na execução de obras. Do lado das indústrias, cresce o desenvolvimento tecnológico, principalmente na área química que lança novos produtos e incrementa, por exemplo, os aditivos (que substituíram a cal, um aglomerante natural), diminuindo o tempo de cura.


Cuidados
"Ainda há uma grande ocorrência de manifestações patológicas em revestimentos de argamassas", analisa Flain. Segundo a professora, acredita-se que essas ocorrências estejam associadas a fatores como falta ou deficiência de projeto de revestimento e de controle de qualidade nos canteiros de obras. Além disso, contam a falta de qualificação da mão-de-obra e as mudanças nos métodos construtivos, entre outros. "E o avanço tecnológico das argamassas industrializadas também é uma conseqüência do entendimento dessas manifestações patológicas", conta Flain.

Ercio Thomaz, pesquisador do IPT, alerta os arquitetos e construtores para que tomem cuidado com argamassas multiuso e demais soluções "fantásticas" que, segundo ele, surgem no mercado com rapidez, atendendo mais aos propósitos de marketing. "Os profissionais devem exigir os requisitos técnicos e buscar garantia de desempenho dos produtos industrializados quanto à cor, aderência, estanqueidade à água, desempenho quanto à poluição, manutenção e reposição", adverte.


O que considerar na utilização das argamassas

  • local onde será utilizada e condições de exposição (exterior ou interior)
  • características do substrato (alvenaria de cerâmica ou concreto) onde será aplicada a argamassa
  • qualificação de mão-de-obra
  • detalhes construtivos para absorverem as tensões provenientes da movimentação do conjunto
  • forma de aplicação (mecânica ou manual)
  • posição e dimensões de juntas de movimentação, que devem absorver as deformações provenientes da movimentação do conjunto e facilitar a manutenção, caso seja necessária, de uma só parte do revestimento sem afetar o restante
    Critérios de escolha

  • efeito estético pretendido e especificado em projeto
  • desempenho e durabilidade requeridos para o revestimento
  • cronograma físico da obra e processo construtivo
  • condições do meio ambiente e localização (em uso exterior ou interior)
  • custos

    Fonte: Eleana Patta Flain - FAU Mackenzie
    Classificação das argamassas decorativas e para revestimentos de fachadas e de interiores

  • quanto à composição: mistas, de cimento, de cal, acrílicas, de saibro
  • quanto ao acabamento, textura superficial ou efeito estético: lisas, rugosas, texturadas
  • quanto à forma de aplicação: manual e mecânica - por equipamento de projeção
  • quanto à fabricação: industrializadas, pré-fabricadas,
    pré-misturadas e misturadas na própria obra
  • quanto às propriedades físico-mecânicas: absorção, porosidade, resistência mecânica

    Fonte: Eleana Patta Flain - FAU Mackenzie


    Mil funções em um produto

    Também conhecida como monocamada, a monocapa é uma argamassa bastante difundida em países europeus, principalmente na França. Formulada à base de cimento, acrescido de agregados miúdos, aditivos, pigmentos minerais
    e fungicidas, a monocapa já vem pigmentada e substitui as camadas de emboço e reboco, além da pintura. Pode ser usada tanto em revestimentos externos quanto em projetos de interiores, com formulações diferentes.

    A execução em uma só camada proporciona maior produtividade e racionalização do processo construtivo. Mas a realidade brasileira mostra que o uso da monocapa só é viável em obras bem alinhadas, com geometria quase perfeita, para que não haja desperdício de material ao aprumar o edifício. Rico em aditivos, o produto pode ter aplicação manual ou mecânica. "A mistura da argamassa com água deve seguir as instruções do fabricante quanto à homogeneização e quantidade da água de amassamento, para se obter um acabamento final dentro de elevados padrões de qualidade e beleza", enfatiza Flain.

    A monocapa também é indicada para uso em obras de pequeno porte e em residências. "Nessas edificações, eventuais desníveis de aplicação da argamassa e deformações naturais do processo construtivo não comprometem a estética da fachada", relata João Paulo Guimarães, gerente técnico da Camargo Corrêa Cimentos. O que pode acontecer em grandes planos, devido à angulação e quantidade diferente de massas dependendo do local, são prováveis diferenças de tonalidades.

    Aspectos que devem ser considerados na utilização da monocapa:

  • irregularidades do substrato. Tratando-se de um revestimento de pequena espessura, quando necessário deve ser feita regularização do substrato
  • tipo de acabamento superficial (liso ou com texturas)
  • posição e dimensões de juntas de movimentação, que devem dissimular os efeitos das variações de tonalidades de uma mesma argamassa. Quando a argamassa for pigmentada recomenda-se que os serviços terminem nas juntas para que se dissimulem os efeitos das variações de tonalidades das cores e o término da execução parcial do revestimento









    DESTAQUE NA PRAIA

    O edifício Cambuí, em Santos, litoral de São Paulo, foi revestido com argamassa acrílica Grafilux, da Sant'Angelo. O acabamento cumpria uma das exigências do programa: a de se diferenciar das construções da região litorânea, em que predominam cerâmicas nas fachadas. A argamassa se adequou perfeitamente à forma curvilínea do projeto do arquiteto Cláudio Abdala. A superfície com aspecto rústico e riscos em baixo relevo apresentou a estética que o padrão do empreendimento requeria, além de resistência a intempéries, como a maresia.

    Ficha técnica
    Projeto arquitetônico: Cláudio Abdala
    Construção: Vértice
    Argamassa: Sant'Angelo












    PRODUTO PERSONALIZADO

    O projeto de Itamar Berezin para o Art Noveau, em São Paulo, foi finalizado com argamassa acrílica texturizada da Coral, coberta por camada de tinta látex acrílica da mesma marca. A parceria entre a construtora Tecnisa e o fabricante já resultou em cores personalizadas para os revestimentos, dando um toque especial aos projetos. Já para argamassa de assentamento, a construtora desenvolve a matéria-prima com traços especiais que melhor atendam suas exigências.

    Ficha técnica
    Projeto arquitetônico: Itamar Berezin
    Construção: Tecnisa
    Argamassa e tinta: Coral













    CURVAS FUTURISTAS

    Na reforma do banheiro da residência de um publicitário, em Belo Horizonte, os arquitetos Fernando Maculan e Pedro Morais tiraram proveito dos encontros curvos entre as paredes, transformando o ambiente em uma cápsula futurista. "São como banheiros de avião, com todos os cantos arredondados e moldados em uma peça plástica única", revela Morais. O trabalho foi realizado com o uso de argamassa acrílica Suvinil resistente à umidade, que proporcionou um melhor nivelamento das superfícies, corrigindo imperfeições no reboco. O acabamento brilhante foi feito com tinta epóxi da International.

    Ficha técnica
    Projeto arquitetônico: Fernando Maculan e Pedro Morais
    Argamassa: Suvinil
    Tinta: International
    Lavatório: Vallvé
    Metais: Deca
    Mármore: Granitop
    Espelho: Décio Ferreira Gabriel
    Acessórios: Santo Ofício



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