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Tecnologia & Materiais


ENTRE CONFORTO E CUSTOS
ESCOLHER O SISTEMA DE AQUECIMENTO É ANALISAR NECESSIDADES E QUANTIDADES - DE ÁGUA E DE INVESTIMENTOS EM TECNOLOGIA E NO MEIO AMBIENTE

Reportagem de Giovanny Gerola


Sistema de aquecimento elétrico de passagem

Demanda de água quente, investimento inicial e gastos operacionais e de manutenção são fatores decisivos que devem ser analisados na hora de escolher o melhor sistema de aquecimento - e, recentemente, a preocupação ecológica também tem sido levada em conta.

As alternativas encontradas no mercado dividem-se em três tipos de energia: elétrica, a gás e solar, que são, ainda, subdivididas em sistemas, de acordo com a maneira com que a água é aquecida e distribuída aos pontos. Todos têm suas vantagens e desvantagens, que esbarram, basicamente, em custo - seja ele inicial ou de manutenção - e no nível de conforto pretendido, como a vazão e temperatura constante de água.

Sistema elétrico

Em tempos de secas, blecautes, reajustes de tarifas e altas contas de eletricidade, os sistemas elétricos têm sido alvo de críticas por muitos profissionais e pesquisadores. Por outro lado, ainda são os que exigem menor investimento inicial e têm manutenção mais simples - muitas vezes, a troca da resistência soluciona possíveis problemas.

No caso de um sistema de aquecimento elétrico de passagem instantâneo, como os chuveiros, apenas um ponto de saída de água será aquecido por uma resistência com tempo de vida médio. Não existem canos que distribuam a água para outros pontos à frente da resistência. A instalação é simples, e o sistema depende somente do fornecimento constante de energia elétrica.

O chuveiro elétrico é apropriado quando se tem curtos períodos de consumo de água quente, a fim de que se obtenha baixos custos operacionais mensais.
Além do instantâneo, há outro tipo de sistema elétrico de passagem, o que alimenta diversos pontos de saída de água. Instalado, por exemplo, em um banheiro, pode ter canos de distribuição para chuveiro, torneira elétrica ou bidê. A resistência aquece a água somente quando houver demanda, ou seja, quando passar pela resistência.

Se a família for maior e a necessidade de água também, pode-se optar por um sistema elétrico de acumulação, que utiliza um reservatório (boiler) no qual a água reservada é aquecida. A desvantagem é o grande dispêndio de energia ¿ e, conseqüentemente, o alto valor na conta de luz ¿ visto que o sistema exige o funcionamento da resistência sempre que a temperatura da água no reservatório diminui.


Sistema de passagem de gás

Aquecedor a gás

Entre as vantagens desse sistema está a maior potência e a independência de quedas na distribuição da rede elétrica. Variações climáticas também não interferem no fornecimento de água quente a todos os pontos de saída, como acontece com o solar. A instalação exige apenas um ponto de gás e uma chaminé. Contudo, o conforto e a garantia possuem custos de manutenção periódica e instalação especializada. Os sistemas mais modernos são computadorizados e a tecnologia é bem variada. Além disso, há precauções a serem tomadas, regulamentadas por normas.

A NBR 13103, por exemplo, declara as adequações do ambiente, ventilação da chaminé e a aprovação do Inmetro para os aparelhos instalados (todos precisam ter sido homologados). Já a NBR 8130 define a potência máxima dos aquecedores, a temperatura máxima a ser atingida, a emissão máxima de monóxido de carbono e outros itens de segurança dos equipamentos.

A necessidade de cuidados especiais com o aquecimento a gás é defendida pelo engenheiro mecânico Luciano Santos, que trabalha para a Bosch: "Sempre há perigos, e 99% deles estão relacionados à exaustão", adverte. Deve-se observar, assim, o ambiente em que o sistema será instalado, que deve ser ventilado para que o gás não se acumule. Armários e salas fechadas, por exemplo, são desaconselháveis. É preciso que haja, ainda, uma entrada de ar e uma saída para os gases produzidos na combustão, com chaminé de diâmetro adequado.

"A maioria dos problemas apresentados pelos sistemas de aquecimento a gás está ligada a defeitos de instalação, não só no exaustor, mas também vazamentos de gás e ventilação inadequada. A instalação deve ser sempre realizada com assistência técnica", complementa Daniel Yoshimoto, engenheiro da Noritz Harman.

Segundo Yoshimoto, os sistemas mais simples não determinam automaticamente a temperatura de saída, que será coordenada pelo usuário na mistura da água fria com água quente, no momento do uso. Outros sistemas têm a chama controlada por painel digital.

Nos equipamentos a gás a demanda de água quente também define o tipo de sistema empregado. Assim como os elétricos, podem ter aquecimento por sistema de passagem ou por acumulação.

Os modelos de acumulação se diferenciam pelos tanques com tubulação isolada, cujo tamanho pode variar em função do número de usuários beneficiados. Os queimadores encontram-se no reservatório e são imediatamente acionados com a queda da temperatura da água acumulada. Assim como nos sistemas elétricos de acumulação, se a demanda de água não for suficiente, tem-se desperdício de gás e de dinheiro.

Luciano Santos, da Bosch, considera o preço do gás competitivo, mas admite os altos custos de instalação, que vão de R$ 200 a R$ 500. "Os aquecedores estão cada vez mais compactos, potentes e seguros", acrescenta o especialista.


Aquecimento solar

Energia solar

Apesar do alto investimento inicial, o aquecimento solar oferece grandes benefícios, principalmente em países como o Brasil, onde o sol pode brilhar na redução dos custos de energia. O problema maior para a implantação dessa tecnologia não está apenas no preço, mas também na própria cultura brasileira, que busca resultados em curto prazo.

No uso comercial, um aquecedor solar pode reduzir os custos operacionais ao máximo, tendo-se um retorno dos investimentos a partir do primeiro ou segundo ano de uso do aparelho. Já em residências, o tempo pode ser maior, de até quatro anos. Porém, se levada em consideração a alta durabilidade do produto (de 15 a 20 anos), pode-se calcular a satisfação e economia do consumidor.

De tecnologia mais cara, os aquecedores solares consistem em um painel coletor de radiação solar, por onde a água passa e é aquecida.

O painel deve ser instalado em ângulo específico e orientado adequadamente para o Norte, a fim de que se obtenha maior aproveitamento da incidência solar durante todo o dia. Quanto maior o número de painéis coletores, maior será a temperatura da água no reservatório, variando entre 30°C e 70°C.

Um reservatório, que é ligado aos pontos de consumo e feito de material isolante, para que a água contida não perca energia térmica, acompanha o painel coletor. É importante que tanto reservatório quanto as tubulações sejam isoladas termicamente. As dimensões são planejadas com a projeção do consumo diário. Dependendo do tamanho do boiler, a água pode se manter aquecida por pelo menos 24 horas.

No caso de demanda maior que a reserva acumulada ou mesmo intempéries climáticas, como a falta de sol, há um sistema auxiliar que entra em ação: pode ser uma resistência elétrica ou até mesmo um queimador a gás.

Quando em desuso por muito tempo, como no caso de viagem de férias, o sistema precisa ser drenado, para que não haja superaquecimento do boiler, o que deteriora o equipamento, posto que o aquecimento da água solar é acumulativo. Por outro lado, o coletor precisará ser coberto, para que a coleta de radiação seja interrompida.

Em piscinas, devido ao grande volume de água, é necessária a existência de uma bomba de circulação forçada. Nesse caso, não há um boiler armazenador, porque as temperaturas não superam os 33°C e as piscinas têm inércia térmica, sendo também coberta com capa térmica a fim de se evitar a perda de energia.

O coletor para aquecimento de piscinas é aberto e de material plástico, ou de polipropileno (EPDM), com vários vasos para a passagem do grande volume de água.

A grande vantagem do aquecimento solar é a facilidade de manutenção, que consiste em limpezas das placas de vidro de duas a três vezes ao ano. A instalação deverá ser feita com a assistência técnica, a fim de que os equipamentos possam otimizar a produção de energia.

Segundo a Abrava (Associação Brasileira de Refrigeração, Ar-condiconado e Aquecimento), os sistemas de aquecimento solares não têm desvantagens. "Nem para o governo, nem para o usuário, e muito menos para o meio ambiente", opina Carlos Felipe da Cunha Faria, que ainda afirma que o uso desses aquecedores cresce de 20% a 22% ao ano em todo o mundo, enquanto no Brasil caminha dos 8% para os 15%, em crescimento anual.


Aquecimento sustentável

Consumo e exaustão de gases e problemas ambientais com o fornecimento elétrico são algumas preocupações ecológicas colocadas à tona quando se fala de sistemas para aquecimento de água. Mas onde estão as soluções sustentáveis quando, tecnicamente, a única alternativa seria o aquecimento solar - e, financeiramente atrativo, não há nada no mercado? Os altos custos dos equipamentos e das instalações de um sistema de aquecimento solar ainda são uma barreira à sua popularização. Em contrapartida, os chuveiros elétricos são responsáveis por quase 40% do consumo de energia mensal em residências. Segundo o consultor do Idhea (Instituto para o Desenvolvimento da Habitação Ecológica), Márcio Augusto Araújo, o aquecimento solar ainda é a solução mais sustentável. Os investimentos iniciais encontram retorno em médio e longo prazo, mas a redução das contas de energia elétrica é garantia dos lucros do investidor. Gás e eletricidade aparecem no ranking da sustentabilidade em segundo plano.

O primeiro, apesar do avanço tecnológico e da segurança em sistemas digitalizados, apresenta ainda altos custos iniciais e de manutenção. O segundo, combina água com eletricidade e consome muita energia, fugindo das premissas de economia ecológica sob a perspectiva sustentável. Mas ainda há uma luz: o Finep (Financiamento Nacional de Estudos e Pesquisas) organiza projetos que envolvem várias universidades brasileiras no desenvolvimento de habitações populares sustentáveis, e o Laboratório de Sistemas Prediais da Poli-USP acaba de dar início a um estudo cuja pretensão é pesquisar métodos de adaptação dos sistemas de aquecimento solar já existentes no mercado em residências unifamiliares de baixa renda, como as financiadas pela Caixa Econômica Federal ou as Cohabs. Segundo o engenheiro André Maia, um dos responsáveis pelo projeto na Poli, os testes terão início entre o final de 2005 e o início de 2006. A fase atual se ocupa em pesquisar os produtos existentes e pedir pela cooperação dos fabricantes, que deverão se interessar pela chance de popularizar seus equipamentos, no desenvolvimento de reservatórios menores, para 150 ou 200 litros. "A finalidade é projetar equipamentos pequenos e baratos, que possam ser instalados paralelamente ao chuveiro elétrico, substituindo-o sempre que possível", declara o pesquisador.





POUCO ESPAÇO

O Máster-Fit, da Cumulus, tem ignição intermitente ultra-rápida e é adequado para pequenos espaços. De eficiência térmica, funciona a gás e por acumulação, com um pequeno reservatório que pode variar de 246 a 378 litros. Possui variação de temperatura de 50°C, ou seja, libera água a 70°C, em média.











AUTOMÁTICO

O lançamento LZ-700, da Lorenzetti, é de passagem, tem sistema de segurança com desligamento automático quando há falta de água ou de gás. O aparelho conta com protetor contra superaquecimento e sensor de chama, além de estar disponível para gás natural e GLP. É compacto e tem garantia de dois anos.












CONTROLE AUTOMÁTICO

Os aquecedores de acumulação a gás da Bosch possuem tanque interno vitrificado e isolante térmico. Os sistemas de controle de temperatura são automáticos, com termostato, que acionam o queimador para recuperar a temperatura da água. Possui ainda válvula de segurança de pressão no tanque.












RECICLADO E COMPACTO

O aquecedor solar Solarmax Ecológico, da Soletrol, vem pronto para ser instalado sobre o telhado e tem capacidade para 200 litros. O coletor tem 1,6 m2 e o sistema auxiliar é elétrico. Possui válvula anticongelamento para proteger o coletor de geadas ou baixas temperaturas. O reservatório é de termoplástico, e todo o material do equipamento é reciclado. A chapa térmica, por exemplo, é de embalagens longa vida. O aquecedor é próprio para pequenas residências, de 120 m2 no máximo, ou banheiros individuais.









ÁGUA PROGRAMADA

O Solar Control da Transen é um controlador de temperatura da água para aquecedores solares, podendo ser adaptado a reservatórios ou até mesmo piscinas. Memoriza funções por 24 horas e está habilitado para duas programações: banho de chuveiro e de banheira. Pode ser utilizado para recirculação de água quente e é de fácil instalação.









MENOS TUBULAÇÃO

O aquecedor central 4T, da Cardal, trabalha como sistema elétrico de passagem. A temperatura é regulável em quatro posições, e sua resistência vem encapsulada, o que evita choques elétricos. Economiza em instalações hidráulicas, já que são desnecessários tanto duas tubulações, para água quente e fria, quanto misturadores de água.








CONTROLE REMOTO

O Super 34, da Harman-Noritz, é um aquecedor a gás de passagem instantâneo, eletrônico, com exaustão forçada e de automodulação dupla para chama e vazão de água. A temperatura pode ser definida com controle remoto. A empresa oferece dois anos de garantia no produto.









CALOR A GÁS

Com dupla regulagem de temperatura, o modelo SH 890, da Sakura, possui acendimento automático e medidas de 778 mm de altura x 413 mm de largura, além de 242 mm de profundidade. O produto é capaz de produzir de 5 a 18 l de água/min.

 
   
 
 
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