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A insustentável dureza do ser... arquiteto
Éramos felizes e não sabíamos?

Sergio Teperman


Somos estudiantes argentinos y necesitamos plata para volvermos a Buenos Aires... Quem não se lembra, na época dourada do Brasil grande (Delfim seja louvado!) desses elementos estacionados nos principais cruzamentos da cidade?
Havia ditadores aqui e nos países do merdosul, mas "os nossos ditadores eram melhores que os deles", frase originada de "os cientistas nazistas deles são melhores do que os nossos", cunhada quando os russos suplantaram os americanos no início da corrida espacial. E dessa forma a economia brasileira era tocada a pleno vapor, tipo pau na máquina, e nós arquitetos nos beneficiamos enormemente disso. Até hoje e por muitas décadas nossos filhos pagarão as dívidas assumidas. Mas mil vezes melhor fazer dívidas para crescer do que para pagar milhares de funcionários públicos entre tantos incompetentes e corruptos como agora.

O resultado dessa tremenda falta de investimento e da apropriação dos recursos da sociedade pelos governos resulta simplesmente no empobrecimento geral da nação e da população. É conhecida a história do encontro Lula (que saudades da honestidade do Collor!) x Gunnar Myrdal, o famoso economista sueco ganhador do Nobel. Lula disse a Myrdal que só sossegaria quando não houvesse mais no Brasil nenhum rico, ao que Myrdal retrucou, "só sossegarei quando não houver na Suécia mais nenhum pobre!".

Na época, arrumei emprego em outros escritórios para dezenas de chilenos, uruguaios, argentinos y otros cucarachas que já vinham de seus países com o meu endereço! Até hoje vivem me agradecendo e lembrando de seu primeiro emprego, porque o primeiro emprego (assim como o primeiro sutiã e a última namorada) a gente nunca esquece. Isso não fazia concorrência aos brasileiros porque havia projeto para todo mundo.

Evidentemente era uma economia inflacionária, mas olhando-se o mercado do ponto de vista puramente egoísta e corporativista, era um campo enorme de trabalho, não só para os profissionais da construção, mas para funcionários e diretores de todos os tipos de empresa. Até os torturadores tinham um mercado em expansão! Embora, aí sim, o merdosul oferecesse muito mais vagas nessa área qualificada do conhecimento.

O que mudou? Individualmente, construir uma casa ou trocar os móveis só rola quando há dinheiro sobrando. Para a indústria, expandir significa a mesma coisa, desde que haja mercado. Mas que louco empresário vai investir, assumindo todos os riscos, quando pode tranqüilamente usar os seus conhecimentos de direito para ganhar fortunas como jurista?

O resultado dessa análise simplista, do tipo conta de padaria (que é a que funciona) é que a situação dos prestadores de serviço - e especialmente a dos arquitetos - torna-se financeiramente insustentável. É uma dureza geral, de vida e de bolso. As estruturas que suportam nossos escritórios tornam-se insustentáveis.

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