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Tecnologia & Materiais


Exercício de resistência
Projetos de academias e centros esportivos devem considerar o intenso uso das instalações, facilidade de manutenção e de troca de materiais

Reportagem de Giovanny Gerolla


Muito saudável, o espaço destinado a uma academia de ginástica pede manutenção constante, limpeza e aspecto de novo, já que estará sempre em uso e tem de ser atraente aos olhos e levantar a bola de quem pretende se arremessar nos esportes. Além disso, os materiais têm de ser resistentes a impactos e facilmente substituíveis - o piso, por exemplo, deve suportar os equipamentos que pressionarão a superfície. Mesmo onde não há perigo de queda dos pesos avulsos por razão de algum esportista mais desastrado, o material tem de resistir para não deformar ou marcar com o tempo.

A borracha, apesar de ser uma opção mais cara, traz bons resultados. Onde pesinhos podem despencar, a borracha tem de ter, no mínimo, 7 mm de espessura, sobre contrapiso reforçado com tela. Outros materiais vêm ganhando espaço no setor, como o laminado de alta resistência, que suporta o peso dos equipamentos e, no caso de riscos, pode ser facilmente trocado, já que possui sistema de encaixe.

Para salas de ballet ou yoga, a madeira é o mais apropriado: a flexibilidade do material acompanha o movimento do dançarino, que não deve brigar com o chão, mas se apoiar nele. Os joelhos e a coluna, em longo prazo, agradecem.

Quanto à divisão das salas e ao tratamento acústico, deve-se considerar as diferentes aulas acontecendo ao mesmo tempo, cada uma com música diferente. O vidro sozinho, por exemplo, não é bom para integração acústica, porque, apesar de ter alta densidade, com pouca espessura permite que o som passe de um ambiente para o outro. Em paredes, de vidro ou não, o importante é aplicar um tratamento acústico, como a lã de rocha.

O sistema de ar-condicionado também é ponto central. A refrigeração precisa, contudo, acompanhar um sistema de renovação do ar, para que clientes não respirem mais gás carbônico do que oxigênio. E, na parte elétrica, é essencial trabalhar com um projeto detalhado e atencioso, pois há muitos equipamentos elétricos nas academias - como as esteiras -, que exigem grande número de cabos extensos.

Já em centros esportivos com quadras de tênis ou campos de futebol, por exemplo, o desafio é manter o ambiente agradável, visto que muitos estão sujeitos às intempéries climáticas. Uma solução é cobrir os espaços com estruturas metálicas ou vidros, o que possivelmente pedirá projeto de climatização e sistema de condicionamento de ar.


METAMORFOSES

O diferencial da Bio Ritmo no Shopping Higienópolis, em São Paulo, é sua capacidade de se transformar por meio da iluminação e, assim, se adaptar ao público variado que a freqüenta durante todo o dia: à tarde, o público é mais velho, mais feminino. Do final da tarde em diante são pessoas que voltam do trabalho e querem, além de malhar, um pouco de descontração. Segundo a arquiteta Patrícia Totaro, à noite a academia agita com estrutura de som mais refinada, discotecagem e iluminação ciano e magenta. "A intenção é oferecer um ambiente menos estéril e mais relaxante", afirma. Para evitar problemas com o som, caixas acústicas foram bem distribuídas e as paredes duplas são preenchidas com lã de rocha ensacada. O aspecto de aconchego é ressaltado pelo revestimento de tijolos vermelhos aparentes. No térreo, a utilização do antigo espaço de estacionamento possibilitou um mezanino com pé-direito duplo. Para o piso, foi escolhido laminado de alta resistência, de encaixe e desencaixe fácil, para ajudar na troca caso o material venha a ser danificado pelo movimento de algum equipamento.

FICHA TÉCNICA

arquitetura: Patrícia Totaro - Arquitetura de Resultados; vidros: Covtec; equipamentos de ginástica: Life Fitness; marcenaria: Pontelliart; piso esportivo: Sportlink; piso cerâmico e porcelanato: Portobello; metais e louças: Deca; luminárias: Revoluz; piso de madeira: Abbaco




TERMAS GERMÂNICAS

A cidade de Spreewald está a 100 km a sudeste de Berlim, e mais parece ter saído dos contos de fadas alemães, com seus bosques e lagos - local preferido para as férias escolares. O Spreewald Therme Burg, por sua vez, cria uma paisagem de banho, sauna e bem-estar em meio à exaltação da cultura e da natureza. Devido à altura do lençol freático encontrado na área irregular onde o projeto foi executado, construiu-se o andar térreo, com as piscinas, a 2,50 m sobre o nível mais baixo do terreno. Para não dar a impressão de que as piscinas flutuam na pequena montanha, o terreno foi gradualmente nivelado. Saunas, restaurante, salão de cabeleireiros e pequenas lojas adaptaram-se ao complexo. O restaurante e a cozinha estão em posição estratégica de corte entre áreas de piscinas e a recepção, de forma que o terraço, a oeste, possa ser utilizado no verão. Assessórios como pias e até mesmo as paredes foram decoradas com mosaicos de vidros em cores e motivos que relembram a paisagem de Spreewald. No jardim, as ervas, flores e o gramado imitam a vegetação local.

FICHA TÉCNICA

arquitetura: 4a Arquitetura; construção: Soe; projeto de estruturas: IB Fischer+Friedrich; sistemas elétricos: IB Scholze; paisagismo: Jörg Stötzer; luminotécnica: Ulrike Brandi Licht; revestimento de fachada: Eternit; elevadores: Thyssen Krupp; mosaicos de vidro das saunas e salas de bronzeamento: Bisazza, Decorativa e Edilgres Sírio



VIDRO, METAL E CONCRETO

No lugar de um antigo galpão, uma nova e equipada academia. O arquiteto Roberto Paternostro substituiu a edificação anterior por dois volumes implantados na área que antes estava escondida entre velhas árvores e palmeiras ao sul do terreno da Associação Atlética Banco do Brasil (AABB), em São Paulo. O primeiro volume tem estrutura de concreto e abriga atividades de apoio, como sanitários e vestiários, enquanto o segundo, de estrutura metálica e de vidro, atende às atividades solicitadas pelos programas esportivos, culturais e recreativos. O volume de vidro oferece, em quatro pavimentos, extensa visão para a área externa do clube. No térreo ficam a piscina de hidroginástica e o boliche e, nos demais pavimentos, ambientes para ginástica, musculação, dança, meditação e quadras de squash. Um átrio central faz a ligação entre os pavimentos e os dois volumes estruturais, além de concentrar acesso à escada principal.

FICHA TÉCNICA

arquitetura: Roberto Paternostro, Aparecida Ogino, Mário Kanashiro e Kerima Helu; estrutura: Ernesto Tarnoczy Jr.; sistemas hidráulicos e elétricos: MA.2; ar-condicionado e ventilação: Planenrac; consultoria esportiva: André Passoni; construção: Emobrel Engenharia e Construção; estrutura metálica: Poliaço; elevador: Thyssen Krupp; esquadrias de alumínio, pele de vidro e brises: Idealtec; porcelanato, cerâmica dos sanitários, pisos, piscina interior: Portobello; piso de borracha: Plurigoma; laminados: Duratex



RECONFIGURADA

O escritório Arqdonini fez uma ampliação radical nas instalações da Competition Higienópolis, em São Paulo, cujo projeto do prédio original era de 1983. A piscina ganhou uma nova cobertura de telha metálica, com sistema corrediço que permite a abertura e entrada de luz natural. O pé-direito maior deu origem a dois novos mezaninos: um para equipamentos cardiovasculares, com piso colado esportivo, e outro para a loja e o novo restaurante, revestido de pastilhas palito de porcelanato fosco. Com o objetivo de deixar o prédio menos hermético, já que o projeto original não permitia a visão das atividades internas, a parede frontal - que equivale a quase toda extensão da fachada - deu espaço a uma cortina de vidro temperado. Somado à nova marquise, anexada sobre o terraço com estrutura metálica e vedação em painés TS, garantiu-se originalidade e integração dos materiais ao antigo prédio.

FICHA TÉCNICA

arquitetura, interiores e luminotécnica: Arqdonini; paisagismo: Noberta Paiva Paisagismo; estrutura metálica : Plancton; hidráulica: Omega; ar-condicionado: Cold Clima; construção: PPR; marcenaria: Arco-Iris; tapeçaria: DJ Tapeçaria; mobiliário: Mássimo Móveis, pisos: Cerâmica Jatobá, Eliane, Gail; pisos esportivos: Lisonda, Forbo, Indelval; toldos: TS Fórmica




Esconde e mostra

O sistema de cobertura forma uma casca curva e é o destaque do Unysis Arena, em São Paulo. De estrutura metálica com manta de impermeabilização alemã e fechamento em sistema spider de vidro, a parte curva é voltada para a Marginal Tietê e o estacionamento do hipermercado vizinho, fechando a edificação. Do outro lado, as quadras se abrem para a encosta verde do Parque Burle Marx. A dinâmica da cobertura levou em conta, ainda, a incidência do sol durante todo o ano, evitando que efeitos de luz e sombra prejudicassem o jogador nas quadras. Para otimizar o isolamento termoacústico e garantir leveza à composição em metais, a casca foi fechada em camadas: a primeira telha metálica é galvanizada, de 50 mm, sobreposta de barreira de vapor. Na segunda, placas de isopor; para a terceira, placas de madeira coladas a uma camada final de manta impermeabilizante. Não só para jogar tênis, o espaço também pode ser utilizado para competições de vôlei, basquete, futebol de salão, shows musicais, circo e leilões. A quadra oficial em forma de arena oferece 2,5 mil lugares fixos, que podem tornar-se cinco mil, dependendo da modalidade esportiva.

FICHA TÉCNICA

arquitetura: GCP Arquitetos; cálculo estrutural: Wilson Kiukuti; fundações: Interact e Pali; construção: Artin; estrutura metálica e telhas: Medabil; sistema de cobertura da casca: Alwitra; telhas da base, marquise e estrutura metálica da arquibancaba: Systemac; vidros: Vidronorte; rufos, venezianas e platibanda: Sulmetais; quadras: Lisonda; mobiliário: Futurmov




MEIO AMBIENTE RESPEITADO

A ecologia é o tema da academia, que associa saúde e qualidade de vida à interação com a natureza e leva o mote até ao nome: Ecofit. A arquiteta Patrícia Totaro priorizou um projeto com soluções que gerassem menor impacto ambiental e racionalizassem o uso de insumos, como água e energia, em um edifício de cinco andares e 4.500 m² de área construída (7.500 m² se contada a garagem). Assim, há desde o reaproveitamento de águas pluviais para fins não potáveis, até aquecimento solar. Todo o telhado foi tomado por placas fotovoltaicas, para coletar energia e atender as piscinas e os chuveiros. O máximo de aberturas foram empregadas para minimizar o uso de condicionamento de ar. A cobertura é de telha sanduíche metálica recheada com poliuretano. Contribuem também para o equilíbrio térmico dois escapes para ar quente. O amplo aproveitamento da luz natural é visto, por exemplo, no centro do edifício: com pé-direito de quase 19 m, uma clarabóia de policarbonato alveolar refletivo inunda o ambiente de luz.

FICHA TÉCNICA

arquitetura de interiores e ambientação: Patrícia Totaro; projeto original: Barbosa & Corbucci Arquitetos; construção: Quality Construtora; colaboração: Alessandra Galan, Thaís Venturelli, Angeline Tórmena e Alessandra Mello; paisagismo: Patricia Totaro; sonorização: Inex Multimídia; ar-condicionado e exaustão: Isotemp; luminotécnica: EJ Projetos Luminotécnicos; estrutura metálica: Ernesto Tarnoczy Junior; estrutura de concreto: Gepro Engenharia; fundações: Cepollina Engenheiros Consultores; projeto de instalações: Procion Engenharia; revestimento e pisos da piscina: Gail e Solarium; pisos: Sportlink, Gyotoku, Recoma; vidros: Vidro Real; porcelanato: Portobello; marcenaria: Marcos Antonio Aggio; louças: Deca; metais sanitários: Docol




NOVO ESPAÇO

Uma grande abertura na alvenaria permitiu a integração do antigo prédio da Cia. Athletica Kansas, em São Paulo, a sua nova extensão. O conjunto de caixilhos de vidro duplo montado a vácuo separa a piscina da sala de musculação, cuidado projetado pela Batagliese Arquitetos+Designers para evitar os efeitos de condensação. A nova porção do edifício segue o modelo básico da Cia. Athletica no dimensionamento dos espaços para programas de atividades, zoneamento e tipologia de acabamentos. O corredor de acesso aos vestiários recebeu tratamento com pedras fatiadas nas paredes e iluminação zenital por uma fenda na laje de cobertura, além de um piso em deck de madeira. A cobertura da piscina é de vidro laminado, com as paredes revestidas de granilite e laminado de madeira, para constituir um ambiente mais acolhedor.

FICHA TÉCNICA

arquitetura: Batagliesi Arquitetos+Designers; estrutura: Prodenge Engenharia; elétrica e hidráulica: Celtim; ar-condicionado: Thermoplan; cobertura de vidro: Avec Verre; paginação interna da piscina: Pastilha Atlas; madeira: 3N; granilite: Casa Francesa; caixilhos: Axiwil; pedra fatiada: VJ Mármores; metais: Deca



NO LESTE EUROPEU

O clube de tênis Tuskanac, em Zagreb, capital croata, foi implantado em uma área residencial nobre. Próximo a uma região florestal, integra os usuários ao meio ambiente com o emprego de materiais tirados diretamente da natureza. Os dolomitos (rochas sedimentares) foram extraídos das pedreiras na montanha Medvednica, ao norte de Zagreb, para compor a fachada, assim como o carvalho, que vem de Slavonija, no leste da Croácia ¿ espécie que também compõe a paisagem dos arredores do Clube. A cobertura folhada de cobre é sustentada por uma estrutura de ripas de madeira, assumindo formato arredondado. O programa inclui quadra de tênis de saibro, salas com armários, saunas, banheiros e uma segunda quadra externa.
As paredes interiores são pintadas de azul intenso ou revestidas com painéis de madeira.

FICHA TÉCNICA
arquitetura: Branko Kincl e Aleksandar Homadovsky;
estrutura de concreto: Kresimir Fegic; estrutura de madeira:
Gaj Podravska Slatina



 
   
 
 
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