O forro como forma de acabamento e de demarcação dos espaços
internos sempre foi um elemento arquitetônico importante. Nos últimos
anos, porém, novas funcionalidades foram atribuídas a ele.
Mais do que assumir um papel decorativo, o produto passou a auxiliar na
garantia do desempenho acústico das edificações. Ao
mesmo tempo, principalmente em ambientes corporativos, o forro torna-se
cada vez mais necessário tanto para esconder quanto para facilitar
o acesso às instalações prediais que, por sua vez,
estão mais complexas.
"
A gente não se satisfaz mais com o forro padrão, aquele que
todo mundo faz, mas procuramos soluções que possam ser personalizadas
e adaptadas às nossas necessidades", ressalta a arquiteta Heloisa
Dabus, para quem o forro é indispensável. "Estamos falando
do item que mais agrega valor em um espaço corporativo, afinal,
as pessoas tendem a olhar para cima, e não para baixo", afirma.
Diante de tantas exigências do mercado, não causa surpresa
o fato de os sistemas para forro agregarem, a cada ano, mais tecnologia
e soluções com matérias-primas e desempenhos variados.
Entre as inovações mais recentes estão, por exemplo,
os forros de gesso acartonado e de fibras minerais que contam com um agregado
mineral em sua massa que atua como um catalisador de compostos orgânicos
voláteis, permitindo, assim, acelerar a decomposição
da fumaça e de odores no ambiente. Outra novidade é o forro
mineral que absorve as ondas eletromagnéticas excedentes em locais
com redes de computadores sem fio - com isso, a velocidade de transmissão
de dados aumenta e os índices de quedas da rede diminuem.
Não menos importantes são as novas formas de fixação
de forros suspensos, para grandes ou pequenos panos de instalação.
Além disso, sistemas que ocultam os perfis estruturais foram criados,
assim como diversos tipos de bordas (quadrada, rebaixada, bisotada). "Esse
tipo de flexibilidade é fundamental nos dias de hoje", afirma
o arquiteto Marcelo Agosto, que aposta no aumento do uso de forros modulares,
sobretudo por conta da facilidade para realizar manutenções
posteriores. "A tendência é a de que a quantidade de
itens instalados no vão situado entre a laje de piso de um andar
e o forro do andar inferior aumente cada vez mais, exigindo opções
mais flexíveis e remanejáveis", diz o arquiteto.
Na onda dos investimentos em inovação, o forro modular também
recebe diferenciais para acabar com o estigma negativo que carrega com
relação ao seu aspecto visual - o que vem sendo progressivamente
derrubado com o aumento das opções de acabamento disponíveis
no mercado. "Equacionar os estoques dos distribuidores com a diversidade
de produtos demandada pelos especificadores é o grande desafio para
a indústria, que precisa prover soluções esteticamente
aceitas, de bom desempenho e ótimo custo", comenta Fábio
Miceli, da AMF.
Com inúmeras implicações técnicas e papéis
a desempenhar, especificar um sistema de forros é um trabalho complexo
que envolve, além da escolha pelo material mais oportuno, a compatibilização
com projetos de acústica, ar-condicionado, iluminação,
cabeamento, entre outros. Um projeto de modulação de forro
precisa, por exemplo, contemplar a adaptação de luminárias,
alarmes, sprinklers e equipamentos de segurança. "O universo
de soluções é imenso. Para poder encarar a situação
de maneira ampla é necessário analisar vantagens e desvantagens
de cada alternativa", afirma o engenheiro Fernando Henrique Aidar,
consultor em acústica e conforto ambiental.
Desde que adequado à situação de uso, o forro é um
grande aliado para prover conforto acústico a um ambiente. Este é,
aliás, um dos maiores condicionantes da utilização
de um forro, sobretudo em edifícios comerciais e industriais. Capazes
de modificar os índices de absorção e de reverberação
do som em um recinto, em geral os materiais derivados de fibras minerais
apresentam desempenho superior aos forros de gesso, PVC e metálicos.
Nada impede, contudo, que um sistema como o drywall ou o de chapas metálicas
possa ter suas características técnicas aperfeiçoadas
com a inserção de recheios acústicos como mantas e
espumas em seus vãos. "Da mesma forma, a combinação
de sistemas diferentes para elaboração de um forro pode render
bons resultados técnicos e estéticos", comenta a arquiteta
Heloisa Dabus, que freqüentemente alia o desempenho das placas de
fibra com acabamento de outros materiais, como o gesso e a madeira em
sancas e arremates.
"É
importante lembrar, contudo, que o maior índice de absorção
sonora indicado pelo fabricante do forro não significa, obrigatoriamente,
um melhor resultado. Em salas de aula de grandes dimensões, o excesso
de material absorvente pode fazer com que os alunos do fundo da sala não
ouçam o que o professor diz lá na frente", exemplifica
Aidar.
Outro item relevante na escolha por um sistema é a segurança
ao fogo, uma vez que, em um incêndio, o forro pode espalhar chamas
e emitir gases tóxicos com maior rapidez dependendo da matéria-prima
empregada em sua confecção. A dica para o especificador é sempre
observar, antes de qualquer escolha, se o produto atende às exigências
descritas na NBR 9442 ou solicitar um ensaio.
O local de aplicação do forro é outro importante critério
a ser analisado. "Em geral, por conta do menor desempenho técnico,
custo mais baixo e aparência neutra, forros de gesso, sobretudo o
monolítico, são mais aproveitados para uso residencial",
informa a arquiteta Janaina Campanella. Já em áreas em que
o forro precisa ser lavável, como em clubes, hospitais e algumas
indústrias, os forros de PVC apresentam bom desempenho.
 |
Classificação de forros acústicos |
 |
|
O NRC (Noise Reduction Coefficient - em português,
coeficiente de redução de ruído), é a
média aritmética dos coeficientes de absorção
sonora dos forros para as freqüências de 250 Hz, 500 Hz,
1.000 Hz e 2.000 Hz. O índice compõe o catálogo
dos principais fornecedores de forros e indica o grau de absorção
acústica do produto.
Forro acústico de excelente absorção acústica - 0,75
a 1,00 NRC
Forro acústico de muito boa absorção acústica - 0,65
a 0,75 NRC
Forro acústico de boa absorção acústica - 0,50
a 0,65 NRC |
PÁGINAS :: 1 | 2 | 3 | 4 | 5 | Próxima >>