A virtude da arquitetura do Centro de Ensino Experimental Cícero Dias, em Recife, vai além do listrado multicolorido dos brises de finos perfis de alumínio, ou das molduras de concreto das janelas, destacadas e igualmente coloridas, dispostas nas fachadas como a compor um código que desafia as mentes dos alunos e dos passantes. A principal evidência da criatividade reside nas soluções inteligentes, de baixo custo e adequadas que viabilizam a obra. Desenvolvida pelos jovens do escritório carioca Oficina de Arquitetos, o Centro de Ensino emprega sistemas construtivos modulares e ágeis, caso das lajes pré-moldadas e alveolares e da cobertura metálica que conecta os cinco blocos. Internamente, painéis móveis dividem as salas de aula, que podem se transformar em dimensões e layout com total facilidade. A criatividade também está presente na ocupação do terreno, metade de um quarteirão, com os cinco blocos distribuídos em torno de um pátio interno. Todas as fachadas foram tratadas como "principais", o que privilegia todo o entorno, colaborando na qualidade arquitetônica do bairro. Para alunos e freqüentadores da escola, o pátio central e as varandas do piso superior funcionam como espaços de integração e convivência. O emprego criativo e consistente de recursos - não necessariamente simples ou baratos, é evidente - forma uma das faces da boa arquitetura. Para o público pouco informado, criatividade em arquitetura pode abranger apenas a capacidade de usar efeitos decorativos. Nada mais distante do exaustivo processo de compatibilização de um programa de necessidades à longa lista de sistemas e tecnologias usadas na construção de uma obra, com beleza e significado.