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Casa

MONICA DRUCKER ARUJÁ, SP 2005
ESPAÇOS FLUIDOS
EM UMA RESIDÊNCIA EM ARUJÁ, A ARQUITETA MONICA DRUCKER RECOLHE UM POUCO DA SOLIDEZ DA ARQUITETURA PARA DAR ESPAÇO À FLUIDEZ DO SER HUMANO

POR SIMONE SAYEGH FOTOS JOÃO RIBEIRO

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Na busca pela moradia perfeita, alguns clientes sabem exatamente o que não querem,mas deixam para o arquiteto a difícil tarefa de lhes revelar o que realmente desejam.Foi assim com a arquiteta Monica Drucker que, contratada por um casal de empresários com duas filhas adolescentes, teve de traduzir os anseios dos clientes por meio da observação atenta das suas atividades dentro da antiga residência. "Eles moravam em uma casa totalmente compartimentada, cheia de níveis e subníveis, e já estavam se sentindo sufocados", conta a arquiteta, "praticamente viviam enfurnados dentro de uma sala de televisão", conclui. Monica entendeu o recado e propôs ao casal um partido de projeto exatamente oposto ao vivenciado por eles até então.Nada de níveis, subníveis e divisões.Apenas a liberdade generosa da integração.

A resposta a esses anseios veio sob a forma de uma casa térrea e linear,com cerca de 600 m2 de área construída e amplos espaços delimitados apenas por divisórias de vidro e estruturados em pilares de concreto, de maneira a permitir total integração. "O tamanho do terreno escolhido propiciou essa solução", explica. A materialidade da arquitetura mostra-se na extensão do teto branco que cobre os ambientes e remete à idéia de casa como abrigo.

Na planta com formato de um grande L, os ambientes se organizam em torno de um amplo jardim e recebem abundante luz natural, embora estejam protegidos da insolação direta por telhas termoacústicas ocultas por platibandas.A cor branca das alvenarias reforça o caráter fluido e não-compartimentado dos espaços.Ao mesmo tempo, a diluição dos limites internos e externos é gradativa.

A fachada de frente para a rua de acesso é bem estanque e sólida, com alguns planos recobertos com pedra mineira. Uma enorme porta metálica de garagem guarda os ambientes mais compartimentados da casa,como despensa,depósito, lavanderia e suíte de empregada. Vista de frente,não há nada na casa que denuncie os amplos espaços a seguir.

Da porta de entrada se tem acesso imediato às salas de estar e jantar, limitadas por panos de vidros embutidos em robustos caixilhos de alumínio, em um sistema de portas de correr que leva à varanda coberta, onde a transição para a área externa de lazer se completa. "Embora transparente, a moradia não tira a privacidade dos proprietários, uma vez que os ambientes envidraçados se voltam para os fundos do terreno", explica Monica.

O único espaço verdadeiramente fechado da casa é o home teather, pela eventual necessidade de uso em condições de pouca luz. O ambiente, conjugado à sala de estar, pode ser totalmente fechado por portas de madeira de correr, também pintadas na cor branca. "Por ter um caráter mais privado, essa sala também faz uma pequena alusão à antiga salinha de televisão em que toda a família se reunia", brinca.

A sala de estar também leva a um grande volume envidraçado que abriga uma raia aquecida de natação – a grande vedete da casa. "O casal me pediu uma piscina que pudesse ser aproveitada também à noite", explica. Dessa maneira, a arquiteta optou por cobrir o espaço com vidro instalado em uma estrutura de alumínio, e limitar a área de acesso por portas de correr também envidraçadas. "É uma caixa envidraçada, que serve tanto ao lazer diurno como noturno e promove integração social", diz Monica. Todos os espaços de convivência social foram articulados de maneira a evitar a formação de corredores e grandes áreas de circulação.

A outra perna do L abriga os ambientes mais íntimos como copa, cozinha,as duas suítes das filhas adolescentes e a suíte máster. O acesso aos dormitórios é feito pela copa, ambiente de ligação entre dois níveis de intimidade, conjugada a uma área de convivência íntima, uma espécie de sala de estudo, que foi solicitada pelos clientes.À volta dessa sala organizam- se os quartos das filhas e a suíte do casal, que também se abrem para o jardim e recebem luz natural e boa ventilação. "Não há risco da família voltar a conviver com a umidade característica da antiga residência", comemora. Já os volumes dos banheiros foram recuados e protegidos com vegetação para conferir maior privacidade.

Além do projeto de arquitetura, Monica Drucker assumiu também a decoração da residência, e muitos móveis, como armários, bancadas e apoios foram desenhados em seu próprio escritório.Outra parte do mobiliário foi adquirida de designers, caso das mesas de centro e de jantar de madeira rústica de Hugo França. "Procurei escolher poucas peças,mas expressivas, de maneira a complementar minha concepção de projeto integrado", explica Monica.

O projeto de iluminação segue a mesma racionalidade, com a utilização de poucos pendentes e concentração de luminárias em toda a extensão da periferia do forro. O resultado são ambientes iluminados de maneira difusa e sem focos brilhantes.Apenas alguns móveis e objetos foram iluminados verticalmente com lâmpadas AR70, que não são recomendadas para iluminação direta de pessoas. "O segredo da escolha dos revestimentos e mobiliário é sempre ter em mente o conceito original de projeto, e seguir a mesma linha de pensamento", conclui.

 

 
 
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