
Pensar os espaços de um hospital é considerar até 120 tipos diferentes de atividades a serem realizadas ao mesmo tempo, 24 horas por dia, pelos mais diversos funcionários – passando por transportadores e faxineiros, até administradores, enfermeiros e cirurgiões – sem se esquecer da circulação dos pacientes.Além dessa movimentação, é preciso pensar que um hospital é um prédio que "respira" tecnologia, o que significa que exige constantes adaptações às evoluções da medicina e do aparato técnico utilizado como instrumento para os tratamentos.
Assim, projetar um hospital é articular em um único edifício as evoluções humana e tecnológica." Uma cadeia de processos e trabalhos deve ser identificada em um contexto de mutação tecnológica global", aponta o engenheiro Charles Vasserman, pós-graduado em administração hospitalar pela Fundação Getúlio Vargas. "Além de o projeto hospitalar ter de garantir flexibilidade a essas mutações e reduzir seus impactos sobre o espaço, o edifício deverá ter vida útil de pelo menos 50 anos e ser, após esse tempo, 100% renovável",define.
Vasserman ressalta a importância de se estudar profundamente o programa de uso junto ao corpo de profissionais das diferentes áreas que atuarão dentro do hospital: de internações, consultas, pós-exames, atendimentos emergenciais ou atividades de pré e pós-operatório. Por outro lado, enfermeiros, faxineiros e cozinheiros também têm restrições e necessidades espaciais.
"Um exemplo prático é o da comida", conta Vasserman. "Como e onde os ingredientes serão recebidos e estocados? Onde será feita a comida? Como será distribuída para todos os andares? Como pode ser esquentada em cada andar, sem que os corredores e quartos cheirem? Onde levar e como separar o lixo, para que não haja contaminação?", questiona o engenheiro sobre os detalhes de um único ponto de funcionamento do hospital.
Para estender a vida útil da edificação, é imprescindível o uso de materiais de qualidade, avaliando em cada caso os de maior resistência, de fácil limpeza e que garantam segurança contra fogo ou impactos. "Há lançamentos de novos produtos constantemente,mas é preciso lembrar que nem sempre os modismos são a melhor solução técnica", avalia.





