Para realizar o sonho de moradia de seus clientes, um casal com três filhos, o arquiteto George Mills não removeu uma árvore sequer do terreno disponível, localizado em uma região movimentada de São Paulo. O jardim botânico particular veio junto com uma casa também antiga que, por não atender aos requisitos de programa dos clientes, foi demolida. "Os gastos e transtornos com a adaptação não compensariam a manutenção da antiga construção", explica Mills. A casa foi ao chão, mas nenhuma árvore foi derrubada. A implantação da nova residência passou a ocupar a mesma porção do terreno da casa demolida, para aproveitar a área liberada. "Dessa maneira, preservei o jardim e evitei problemas com os órgãos de preservação municipais", explica.
Enquanto de um lado se preserva, do outro se constrói uma imagem contemporânea. Mills quase sempre opta por empregar estruturas metálicas em seus projetos, e não foi diferente neste caso. Em pouco tempo, o espaço livre foi tomado por vigas e pilares metálicos brancos, que tomavam a altura de dois andares, e causaram uma certa comoção entre os vizinhos. "Diariamente recebia telefonemas de moradores e associações reclamando da construção de um posto de gasolina no local", afirma. Os próprios clientes foram reticentes com o uso do aço. "Os proprietários queriam que a estrutura ficasse bem escondida", explica. Quando o aço começou a receber a alvenaria e os revestimentos, o burburinho cessou. "A construção passou a ter a cara de uma casa", conclui.
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