Na rua Voluntários da Pátria, importante via de comércio do bairro carioca de Botafogo, sobrados da década de 40 são comumente utilizados como prédios comerciais, com lojas e escritórios. O sobrado de número 10 encontrou um destino diferente: foi invadido pela equipe da DDG Arquitetura, que transformou um de seus pequenos espaços comerciais em um inusitado bar. A Drinkeria Maldita, nome um pouco assustador, mas instigante, quase se joga na calçada para oferecer bebida e diversão, em uma atitude para lá de simpática."O pouco espaço disponível forçou a instalação de um balcão de bar totalmente voltado para a via pública", explica o arquiteto Célio Diniz, da DDG.
De fato, a área alvo do projeto de arquitetura tem apenas 90 m2, e abarca térreo, mezanino e primeiro pavimento. Os 13,5 m2 do térreo recebem o sóbrio balcão de bar que se debruça para a rua, revestido de granito preto, vidro e madeira. O espaço é bem iluminado por lâmpadas embutidas em um forro de gesso na cor azul-escura, a mesma que reveste as paredes. O destaque fica por conta da nada sóbria prateleira de madeira amarela das bebidas, com fundo espelhado. Aliás, o contraste entre as cores quentes e frias, e entre o discreto e o atrativo subsidia todo o projeto de interiores do lugar. A pouca profundidade do térreo, cerca de 3,80 m, se opõe à grande distância entre os pavimentos, que chega a 4,60 m. Como conseqüência, o vão vertical definiu o principal elemento arquitetônico do bar: uma atraente escada de circulação que parte do lado direito do térreo, inteiramente metálica (estrutura, degraus e guarda-corpos). Sua cor laranja celebra a expansão e reforça a presença de seu volume na sobriedade retraída dos espaços horizontais. Para resguardar e sinalizar essa ligação vertical, um painel de vidro com película amarela protege seu corpo e reforça a iluminação. Dessa forma, fica impossível transitar pela rua e não notar o volume alaranjado e iluminado, que desaparece na parte superior do sobrado. "A escada é o elemento-chave do projeto e denuncia a continuação do bar em um pavimento superior", explica Diniz. O piso de ladrilho hidráulico em tons creme aplicado no térreo neutraliza as diferenças e integra o exterior com o interior, de maneira a também convidar o visitante a entrar.
A escada leva a um mezanino de serviços, com depósito e vestiário, e a um pavimento de 64 m2 que cede espaço a um pequeno lounge com despojadas mesas e cadeiras, servido por um bar, cozinha e banheiros. O espaço mantém as mesmas características de discreta elegância do bar do térreo, presente nas paredes revestidas de azul-escuro, desta vez com um rasgo horizontal iluminado, e no contraste amarelo das prateleiras das bebidas. A não ser, e exceção bem-vinda, pelo teto recoberto por quatro painéis tipo backlight com fotos em preto e branco. As fotos escolhidas a dedo foram impressas com leve distorção de tamanho, de maneira a aparecer a granulometria da imagem. "Foi uma forma que encontramos de dissolver um pouco a forte presença das fotos no espaço", explica Diniz. De fato, as imagens pairam absolutas e podem ser vistas até por quem passa pela calçada, do lado de fora do bar. Os backlights são suficientes para iluminar todo o ambiente, mas o sistema foi complementado com barras metálicas horizontais que sustentam refletores, em um desenho semelhante ao da iluminação cênica. Nos banheiros, ao fundo do salão, a chama de acrílico laranja (que reforça a logomarca do bar) sinaliza as indicações de feminino e masculino. "Conseguimos um ambiente sofisticadamente despojado, exatamente como os clientes queriam", conclui Diniz.
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VEJA EM WWW.REVISTAAU.COM.BR
AU 130 - Circo Voador, Rio de Janeiro, RJ, de DDG Arquitetura
AU 138 - Estação Hidroviária Praça XV, Rio de Janeiro, RJ, de DDG Arquitetura
