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Crônicas Agudas


UM OSCAR PARA AEROPORTO
PACIENTES (NOS) TERMINAIS

POR SERGIO TEPERMAN




Há 40 anos (meu Deus, como vocês estão ficando velhos), publiquei na revista AC a seguinte declaração, '"o trabalho não foi mesmo objeto de maiores estudos, tanto de ordem técnica quanto de natureza econômica. Caiu porque o Sr. Oscar Niemeyer é impenitente comunista, sendo, portanto, exclusivamente político o veto da FAB. E mais ainda: há uma estranha figura decorativa de um braço de punho cerrado, característica da saudação bolchevista, no bojo do plano. Outro projeto será elaborado pelo órgão próprio da Aeronáutica' (sic). 'A nova estação de passageiros do Aeroporto de Brasília será em estilo sóbrio, bonito, funcional, amplo e extensível', informou a Diretoria de Engenharia da FAB".

Por essa justificativa da Força Aérea Brasileira para abandonar o projeto de Niemeyer para o aeroporto de Brasília, não é surpresa que com a maneira militarizada (e agora também republicanamente democrática) com que se dirige a aviação no Brasil, um dia a casa caísse - e os aviões também.

Na época dos estudos da ampliação do aeroporto de Brasília, escrevi um artigo no qual sugeri que o projeto fosse de Oscar Niemeyer. Não como desagravo ou compensação, mas pelo símbolo que representa um aeroporto como primeira imagem de quem desembarca em um país. Essa imagem é tão forte que qualquer país de independência recém-proclamada toma como necessidades principais três coisas: uma bandeira, uma seleção de futebol (com técnico brasileiro) e uma companhia aérea, mesmo que tenha só um velho Boeing 707. O Presidente, naturalmente subdesenvolvido, compra um 767 novo só para ele.

Em 1973, quando comecei a viajar a trabalho, fazia em geral um longo vôo no mínimo uma vez por semana. Essa rotina durou quatro anos. Na época, os aeroportos se assemelhavam ou a galpões industriais ou a oficinas de borracheiros. As primeiras exceções foram, curiosamente, Boa Vista e Belo Horizonte (que tem um belíssimo terminal), locais onde não pousava quase nenhum avião. Boa Vista, em Roraima, era governada pela aeronáutica, explica-se. Já o caso de Belo Horizonte era incompreensível, porque com o sistema de hubs utilizado por economia pelas companhias aéreas de países de grande território, o fulcro no centro do Brasil sempre foi, naturalmente, Brasília.

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