Desde que pôs os olhos no terreno de 800 m², localizado
no alto de uma colina, em um condomínio fechado em Vinhedo, interior
de São Paulo, o arquiteto paulistano Leonardo Shieh sabia que o
projeto deveria privilegiar a bonita vista de um vale, aos fundos. Mas
foi além disso para criar a Casa Dias, nome dado em homenagem à
família para quem fez o projeto. A implantação e
volumetria arquitetônica não só permitem a contemplação
da paisagem natural, como também oferecem aos moradores espaços
bem iluminados e integrados com o exterior.
O partido adotado foge da solução convencional de colocar
a casa no centro do lote, com recuos laterais. Composta por dois volumes
sobrepostos, a construção se desenvolve a partir de uma
planta em "L", de forma a liberar o quadrante sudoeste de qualquer
ocupação vertical que pudesse obstruir a visão da
paisagem. No segundo piso, amplos caixilhos de madeira cortam a fachada
de uma ponta a outra, reforçando, novamente, a intenção
do autor de valorizar a vista.
Ao discorrer sobre a residência, Shieh relembra projetos famosos
como o da Casa Jacobs (1936), de Frank Lloyd Wright, cuja planta em "L"
serviu de referência para o presente trabalho, apesar das consideráveis
diferenças. Uma das mais evidentes é o número de
pavimentos: a Casa Dias tem dois andares, enquanto que a de Wright é
térrea. "Estiquei e sobrepus uma das pernas do 'L' em relação
à outra para atender às necessidades do projeto", diz
o jovem arquiteto, que se formou pela FAUUSP, em 2001.
Na Casa Dias, a sobreposição de dois blocos não
apenas garante a visão do vale, como também ajuda a atender
ao programa arquitetônico. A construção emoldura e,
ao mesmo tempo, se sobrepõe a um jardim com piscina. "Uma
das exigências dos moradores era uma piscina semicoberta",
justifica Shieh, que optou por integrar a área de lazer externa
com o interior. Portas de correr separam o jardim de ambientes como a
sala de estar, sala de jantar e cozinha.
PÁGINAS :: 1 | 2 | 3 | Próxima >>