A primeira impressão é a de que algo inusitado se destaca
entre as montanhas e o verde andino. Não só inusitadas,
as Torres Siamesas, projetadas pelos arquitetos Alejandro Aravena, Charles
Murray, Alfonso Montero e Ricardo Torrejón para a Universidade
Católica de Santiago do Chile, são um exemplo de arquitetura
completa, principalmente em tempos de discussões sobre meio ambiente
e tecnologia.
Com duas "cabeças" sobre um único corpo, o edifício
transmite ao observador uma sensação mista de rusticidade
e pós-modernidade, resultado da combinação de cor
acinzentada da capa de vidro e metal sobreposta a uma grelha de madeira.
A composição de materiais, que inclui placas cimentícias
fabricadas com fibras de celulose, usados aqui de forma estratégica,
garantiu excelente desempenho termoacústico e conseqüente
economia de energia por dispensar sistemas potentes de climatização.
A exigência do cliente era construir uma torre de vidro para receber
todas as atividades que implicassem o uso de computadores. "Conceitualmente,
encontramos três problemas centrais nessa idéia", dizem,
em coro, os arquitetos. "Os computadores, a especificação
do vidro e a projeção de uma torre", enumeram.
A universidade pediu que fosse pensado um tipo de arquitetura mais adequada
ao aprendizado de informática ou tecnologia digital. Mas, para
os arquitetos, a grande dúvida conceitual era se a arquitetura
deveria mudar, agora que os computadores estão em todos os lugares
e a todos os momentos. A equipe também questionava se o computador
tem influência direta sobre a antiga noção de espaço,
seja este destinado para trabalho ou estudos.
Sem encontrar uma resposta definitiva, decidiu-se que o padrão
arquitetônico para ambientes de trabalho poderia ser invertido:
se até então o bom espaço era aquele bem servido
de luz natural, como se verifica normalmente em bibliotecas e salas de
aula, o tempo despendido sobre monitores requer luz menos intensa, se
possível indireta, e que não produza reflexos tão
desconfortáveis aos olhos.
A solução foi combinar a aplicação do vidro
em um volume relativamente hermético, com perfurações
estratégicas e bem estudadas para que houvesse troca de ar com
o exterior.
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