Desde que o light steel framing, ou simplesmente steel frame, como
é conhecido por aqui, desembarcou no Brasil há cerca de
dez anos vindo dos Estados Unidos, o mercado tem visto alguns avanços
que ajudaram o sistema a lançar raízes em território
brasileiro. Entre os exemplos estão a definição dos
requisitos mínimos para financiamento de habitações
erguidas com o sistema pela Caixa Econômica Federal, a publicação
de dois manuais (um de engenharia e outro de arquitetura) pelo Centro
Brasileiro da Construção em Aço (CBCA), que serve
de subsídio para especificação e uso, e a normatização
de alguns dos principais componentes do sistema, como os perfis estruturais
de aço formados a frio (NBR 6355:2003) e as chapas de drywall (NBR
15217:2005), uma das opções de fechamento.
No entanto - e embora o Brasil seja um dos maiores produtores
mundiais de aço - na prática a aplicação
do steel frame tem sido pouco expressiva. No Japão, o sistema foi
fundamental para a reconstrução das cidades após
a 2a Guerra Mundial e nos Estados Unidos, em 2004, o número de
casas construídas com esse tipo de estrutura metálica ultrapassava
500 mil - em 1992, eram apenas 500 casas de steel frame. No Brasil,
não temos estatísticas. Aqui, por ter sido importada dos
Estados Unidos, a tecnologia trouxe um modelo de vendas e arquitetura
que deu origem a alguns condomínios de alto padrão com modelos
arquitetônicos que lembram os subúrbios norte-americanos,
mas não consolidou definitivamente o steel frame como opção
estrutural. "A gente veio da escola norte-americana em que as casas
são vendidas por catálogo. Isso nos parecia muito racional,
mas o consumidor brasileiro não gostou desse modelo, porque prefere
customizar tudo", comenta o arquiteto Alexandre Mariutti, diretor
da construtora Seqüência, uma das primeiras a trazer o sistema
ao Brasil.
A evolução, segundo Mariutti, foi afastar-se da idéia
do catálogo e começar a projetar e construir cada casa individualmente.
Outra alternativa tem sido explorar novos nichos de mercado, como o de
retrofit, no qual a estrutura leve pode permitir a ampliação
e até mesmo a construção de pavimentos adicionais
em um edifício já existente, e o comercial, no qual a industrialização
se mostra adequada principalmente por proporcionar rapidez de execução
e limpeza no canteiro. Foi isso o que motivou a especificação
do sistema, por exemplo, no 16º restaurante da rede Pizza Hut, construído
pela Seqüência em São Paulo em apenas 45 dias.
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