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AS CONSTRUÇÕES DE PAREDES DE TERRA SÃO RESISTENTES? COMO FUNCIONA A RESISTÊNCIA DESSE MATERIAL E EM QUE LOCAIS É POSSÍVEL ENCONTRAR CONSTRUÇÕES COM ESSA TÉCNICA?
Daniel Faria, arquiteto



"A terra é um excelente material: térmico, não tóxico, adquire a forma que se quer e tem boa resistência. Dependendo da técnica é também estrutural, além de ser um material ecológico de mínimo impacto e barato, já que está ali mesmo no seu terreno", explica Marcelo Bueno, arquiteto e secretário-executivo do Instituto de Permacultura e Ecovilas da Mata Atlântica (Ipema). Existem quatro principais técnicas para construções com terra crua: o adobe, que consiste em um tijolo seco ao sol, montado em fôrmas de madeira ou compensado; o BTC – bloco de terra comprimida; a taipa de mão ou sopapo, conhecida popularmente como pau-a-pique, e a taipa de pilão. Há, ainda, técnicas derivadas, como o superadobe, que utiliza sacos de polipropileno com subsolo inorgânico para moldar paredes e cúpulas autoportantes. Esse sistema foi usado, por exemplo, na sede do Instituto de Permacultura e Ecovilas do Cerrado (Ipec), onde as paredes de superadobe têm de 40 a 60 cm de espessura (AU 142). De acordo com o arquiteto Paulo Montoro, fundador da Associação Brasileira de Construtores com Terra (ABCTerra), a taipa de pilão é a mais resistente à compressão, enquanto a taipa de mão, o adobe e o BTC são melhores na vedação. Para construções em taipa de pilão, utilizam-se fôrmas de madeira ou compensado que são preenchidas com terra socada com o auxílio de uma mão de pilão.

Segundo Montoro, qualquer terra é adequada para a utilização. No entanto, de acordo com o clima regional, há técnicas mais indicadas. "O pau-a-pique é mais utilizado em regiões úmidas, enquanto o adobe é bom para regiões mais secas", aponta Bueno. No que diz respeito à resistência, Montoro brinca: "você qualifica uma casa de terra em séculos, enquanto não podemos dizer ainda que as construções em concreto tenham tamanha durabilidade". No Brasil, pode-se encontrar casas que datam do descobrimento: "para conhecer essas construções e só ir a Porto Seguro, onde chegaram os portugueses", sugere Bueno. "Hoje a utilização de terra crua para construção faz parte do cotidiano de muitas regiões. Na Bahia utiliza-se a técnica do adobe, mais adequada ao clima local, assim como no México, Bolívia, Peru e Estados Unidos, onde o tijolo de adobe é inclusive vendido em casas de materiais de construção", explica.

Vou transformar uma edícula em uma adega. Quais as opções de climatização e quais outros cuidados devem ser tomados?
Marcos Moacir de Freitas, arquiteto

De acordo com Antônio Joshua Pereira Costa, da Joshua Marcenaria, empresa especializada na construção de adegas, é possível transformar qualquer local de uma residência em adega. No entanto, diversas adaptações têm de ser feitas, já que o armazenamento de vinhos demanda cuidados especiais. Segundo Eduardo Viotti, diretor da Vinho Magazine e membro efetivo da Federação Internacional dos Escritores sobre Vinho (Fijev), a temperatura de armazenamento deve ficar entre 14ºC e 19ºC. A arquiteta Vanja Hertcert lembra que, ao se projetar uma adega, é importante observar se as paredes não recebem incidência direta do sol. Caso isso aconteça, deve-se isolá-las e revesti-las internamente. Viotti indica a aplicação de tintas resinosas ou impermeabilizantes nas paredes e borrachas para vedar portas e janelas, e impedir que a temperatura varie. Já Joshua aponta também a existência de placas térmicas feitas especialmente para essa utilização. Quanto ao resfriamento, existem climatizadores especiais, mas um ar-condicionado potente e um termômetro de adega podem ser uma opção aos climatizadores. "O problema do ar-condicionado é que ele tende a deixar o ambiente seco, o que resseca a rolha, fazendo-a encolher e prejudicando o vinho", explica Joshua. Nesse caso, seria necessário instalar um umidificador de ambiente. Outra dica para combater a baixa umidade, de acordo com Vanja, seria espalhar areia no chão e borrifar com água. A umidade perfeita para uma adega varia entre 60% e 80% e pode ser medida com um higrômetro. Os pisos também devem ser projetados especialmente para evitarem a quebra das garrafas em caso de queda. Uma opção para a adaptação de uma edícula, segundo ele, seriam pisos emborrachados com absorção alta. Como a iluminação forte acelera oxidação, alterando a cor e aroma do vinho, é preciso cuidado com a entrada de luz natural. "Instale uma iluminação que permita a leitura de rótulos, mas que garanta a escuridão para o vinho na maior parte do seu tempo", indica Vanja. No armazenamento, a disposição das garrafas deve ser horizontal, de modo que não se movimentem. As prateleiras podem ter receptáculos individuais ou em pequenos grupos de quatro ou cinco garrafas e, se forem de madeira, devem receber tratamento para evitar cheiros que possam contaminar o vinho.

 
   
 
 
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