Conhecida como "a praia dos arquitetos", tantas são as casas de propriedade de arquitetos ali reunidas, que vale um breve histórico desse pedaço do litoral norte de São Paulo. Mas, antes, uma explicação sobre a casa de Mônica Junqueira, por ela projetada ("sou uma arquiteta bissexta", declara), com muita precisão e também com economia e prazo limitado para atender ao programa solicitado pelos vários membros de sua família.
Implantada em terreno de 800 m2 cortado por um riacho, a casa, em síntese, compõe-se de uma grande e única área de estar com a cozinha integrada e sete dormitórios com seus respectivos, embora minúsculos, banheiros. No terreno existia uma construção mais simples, alocada por muitos anos pela família.
Originalmente construída por um caiçara, foi reformada depois pelo proprietário, o arquiteto José Ricardo Gomes, que procurou não descaracterizá-la. Quando adquirida pelos Junqueira Camargo, a construção se mostrou precária para suportar mais obras e a família optou por sua demolição. A nova construção, iniciada em fevereiro de 2004, levou cerca de nove meses para terminar - o réveillon estava nos planos dos proprietários.
Depois de estudar a vegetação, a orientação solar e as melhores vistas, conta a arquiteta que se surpreendeu com a sabedoria caiçara. "O melhor local para implantação era onde estava a casa original", diz. O projeto se pautou pela simplicidade, "nem sempre fácil de ser atingida", confessa Mônica. O desejo de que a casa representasse um lugar de encontro, de convivência maior entre a família, que está crescendo com os casamentos dos filhos, e a menor ocupação da área do terreno determinaram o projeto de volume compacto. O espaço de convivência, composto de sala e varanda e estendido aos jardins, foi priorizado. Como da casa não se avista o mar, a arquitetura tirou partido do terreno que se junta à mata de preservação, de 2 mil m2, do qual a família se comprometeu a cuidar.
Embora a preferência fosse pela estrutura de madeira, o curto prazo para terminar a casa e a necessidade de mão-de-obra especializada encaminharam o projeto para a construção convencional, dominada pelos profissionais locais: estrutura de concreto e fechamentos de tijolo de barro. Já para os caixilhos, a escolha recaiu sobre o alumínio com pintura eletrostática para melhor conservação.
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