Nada de corredores e espaços confinados. No Hospital Municipal Cidade Tiradentes, na Zona Leste de São Paulo, a atmosfera artificial, comum em estabelecimentos da área de saúde, foi substituída por outra, mais natural e humanizada. Para conseguir isso, os arquitetos José Borelli Neto, Hércules Merigo e Walter Makhohl, autores do projeto, fizeram uso de jardins internos e substituíram os corredores por circulações mais abertas, misturadas com áreas de espera, postos de enfermagem e grandes vazios.
Acabar com a sensação de confinamento também significava privilegiar a iluminação e ventilação naturais, inclusive nos setores mais restritos, como na UTI e no Centro Cirúrgico. "Está provado que a luz natural ajuda na recuperação dos pacientes, que precisam ter noção exata de quando é dia ou noite", afirma Borelli. A obra rendeu aos arquitetos uma Menção Honrosa da Premiação IAB-SP, em 2006, pela categoria Edifícios: Obras Construídas – Modalidade Institucional.
No miolo da construção, a luz chega através de jardins distribuídos ao longo do edifício. Os postos de enfermagem, dispostos como "ilhas" na faixa central do pavimento, substituem a idéia de corredor fechado pela de rua ou avenida, em que o fluxo acontece nos dois lados. "O bloco contínuo e comprido pedia soluções que o compartimentassem em relação à luz e circulação", justifica Makhohl.
Com um total de 270 leitos, o hospital geral atende uma população aproximada de 500 mil habitantes, numa região carente de serviços de saúde. O mesmo projeto está sendo utilizado para a construção do Hospital Municipal M'Boi Mirim, na zona Sul de São Paulo. Os arquitetos explicam que essa foi uma das exigências do Departamento de Edificações da Secretaria de Serviços e Obras (EDIF-SSO), que promoveu a concorrência pública vencida por eles. Implantar um projeto em um terreno distinto daquele para o qual foi concebido traz lá seus desafios, e a equipe já sabe que serão necessários grandes ajustes no terreno da zona sul.
Com 190 m de comprimento, o Hospital Municipal Cidade Tiradentes é um edifício monobloco que foi implantado no sentido longitudinal do terreno de 32 mil m². O projeto tirou proveito da linearidade do lote para criar um hospital em que o setor de internação é horizontalizado, permitindo que todos os leitos e postos de enfermaria estivessem localizados num mesmo pavimento. O partido traz vantagens à medida que os quartos não se restringem a uma determinada especialidade médica, como acontece na maioria dos estabelecimentos deste tipo. Eles se ajustam à demanda do momento, podendo atender desde a pediatria, até a clínica cirúrgica, por exemplo.
PÁGINAS :: 1 | 2 | Próxima >>