As fachadas leste e oeste são protegidas por quebra-sóis pré-moldados de concreto que, geometricamente, lembram as obras do artista holandês Piet Mondrian (1872 - 1944). No entanto, quase não há cores no exterior do hospital, salvo o amarelo no térreo e nas extremidades da construção. Impera o cinza do concreto, mas com ritmo, movimento e textura conferidos pelos elementos de proteção solar. Todos com o mesmo desenho, porém assentados de forma diferente em uma malha metálica de sustentação que dista 90 cm da caixilharia.
Os quebra-sóis proporcionam redução da carga térmica nos ambientes que, obrigatoriamente, devem receber ar-condicionado. Outra solução responsável por redução significativa no consumo de gás e energia elétrica do edifício são os aquecedores solares instalados sobre o bloco de suprimentos. Eles fazem o pré-aquecimento da água que abastece a lavanderia e os banheiros dos leitos. "Este é um dos primeiros hospitais no Brasil em que este conceito de sustentabilidade está sendo empregado", afirma Borelli.
O projeto foi concebido de acordo com os parâmetros da Resolução RDC no 50 do Ministério da Saúde, que reúne as Normas para Projetos Físicos de Estabelecimentos Assistenciais de Saúde em vigor. No site da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária, www.anvisa.gov.br) é possível consultar as normas, que estabelecem, entre outros, os requisitos de durabilidade, manutenção e assepsia dos materiais utilizados. Os pisos das áreas técnicas, por exemplo, são em linóleo, e as paredes têm pinturas especiais para hospitais. Do lado externo, as empenas de concreto foram tratadas com verniz poliuretano e as alvenarias de bloco foram revestidas com massa raspada.
No Hospital Municipal Cidade Tiradentes, o sistema estrutural foi concebido com laje plana, sem vigas, de forma a facilitar o encaminhamento e a distribuição das instalações. Segundo a equipe de projeto, as estruturas de concreto moldado in loco e aço são as melhores opções para a construção de hospitais, visto que sua flexibilidade permite uma adaptação mais simples ao complexo programa arquitetônico dessas obras.
Além do projeto de arquitetura, Merigo, Borelli e Makhohl também fizeram o acompanhamento da obra, considerado por eles "fundamental para o bom desempenho da construção e manutenção das características do projeto". "A presença do arquiteto no canteiro gera um produto final muito mais próximo daquilo que o cliente deseja", diz Borelli. "Consideramos isso um avanço por parte do setor público", finaliza.

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