O trabalho do escritório dinamarquês Dorte Mandrup Arkitekter, liderado pela arquiteta Dorte Mandrup-Poulsen, baseia sua atuação na constante investigação de novos programas, relações espaciais e sistemas construtivos. A equipe de 36 profissionais procura imprimir uma característica original e personalizada em cada projeto, e a proposta desenvolvida para uma creche municipal em Copenhague é mais um exemplo disso.
A vizinhança onde se implantou a creche municipal é composta por prédios do século 19 organizados em densos quarteirões urbanos. No quarteirão escolhido, especificamente, encontrava-se um bloco de edifícios de cinco andares dotados de pátios internos muito estreitos. O fato de esses pátios estarem espremidos entre os edifícios dificultava o recebimento de luz solar direta.
Os edifícios são também intercalados por algumas vilas dispersas que, entre outros elementos, interferiram no conceito urbanístico mais antigo. Implantação de novas construções, reformas e ampliações transformaram a região ao longo dos séculos 19 e 20.
O lote onde foi implantada a creche tinha uma oficina de automóveis que por muitos anos contaminou o solo com seus resíduos. Para a execução da obra, foi necessário que uma parte do terreno fosse descontaminada, enquanto a outra porção foi encapsulada, a 30 cm de profundidade, com a aplicação de uma manta de polipropileno comprimido.
De acordo com o programa proposto aos arquitetos, a creche tinha de contar com três áreas principais de atividades para as crianças. Esses ambientes deveriam, entretanto, oferecer possibilidades espaciais de serem transformados em salas de aula, caso fosse necessário incluir um jardim da infância.
Essa flexibilidade de função é possível porque, segundo a legislação dinamarquesa, a única diferença entre creches e jardins da infância é a faixa etária das crianças: até os três anos elas freqüentam a creche, dos três aos cinco, o jardim da infância. "A lei não diferencia quanto à definição do programa de uso e a especificação dos materiais", explica a arquiteta Anne Carlsen. Ela diz ainda que, em geral, a municipalidade de Copenhague resolve a questão do espaço simplesmente por ajustar a quantidade de crianças nas salas, para evitar a necessidade de reformar os prédios.
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