O térreo dobra-se para cima e forma uma rampa entre os dois planos, promovendo a integração. O conceito para traçar o corte dessa rampa, entretanto, foi além da necessidade de interligar os pavimentos e acompanhou o ângulo de inclinação da incidência solar sobre o terreno no verão, da direção nordeste para noroeste. Dessa forma, a inclinação da rampa oferece a melhor exposição ao sol nos dias mais quentes do ano.
"A intenção ao se interligar os dois pavimentos era proporcionar transição fluente entre área de brincadeiras e ambientes internos. Ao mesmo tempo, a própria rampa é adaptada para ser lugar de diversão", completa Anne Carlsen. O revestimento, feito de uma borracha granulada macia e antialérgica, garante a segurança de quem brinca. Alguns pufes de tecido impermeável e fixos no chão por bases de aço galvanizado foram dispersos pelo trajeto. Além de garantir um bloqueio mecânico às crianças – e de serem eles mesmos objetos de brincadeiras –, é possível adaptá-los com guarda-sóis em dias mais quentes. A rampa também pode ser utilizada como "arquibancada", quando a creche promove eventos.
Construída com estrutura leve de madeira e revestida de borracha, a rampa é sustentada por colunas de concreto que ainda foram aproveitadas como apoio para brinquedos. A solução formou a chamada "floresta dos balanços" que garante a atividade das crianças mesmo em dias chuvosos ou frios. Como esse ambiente não foi climatizado, recebeu nas faces sul e oeste fechamento de policarbonato para permitir a incidência da luz solar e o conseqüente aquecimento.
A estrutura do edifício é toda de concreto, com fechamento de vidros serigrafados instalados em esquadrias de pinho tratadas com stain. Por questões de segurança, higiene e manutenção, os pisos são revestidos com linóleo, exceto na área sob a rampa, onde se aplicou um revestimento cimentício. Tanto a rampa quanto o piso do jardim na cobertura são de borracha granulada vermelha, enquanto o pátio oeste é totalmente gramado.
O fato de vestiários e área de entrada estarem combinados com acesso direto a todas as funções do edifício aumentou os ambientes em até 80% do que havia sido inicialmente planejado, por dispensar corredores e halls. É a sala central, entretanto, que articula a distribuição dos espaços: está diretamente conectada à cozinha, às salas de jogos, aos vestiários e às áreas para funcionários.
O projeto da creche municipal em Copenhague é exemplo de boa arquitetura dentro de um programa de uso funcional e que cumpre sua função perante a comunidade. O Dorte Mandrup, que já foi premiado por projetos nacionais e internacionais, demonstra como um arquiteto deve se responsabilizar pela integridade de seu projeto, desde seu design esquemático até a supervisão final da obra.
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