aU QUANDO O RESULTADO É BOM, ENTÃO SE TORNA ARQUITETURA DE PROPOSIÇÃO?
DIEZ Não, eu não olho a qualidade. Apenas analiso. Se a arquitetura de proposição consegue ser efetivamente a de produção, tudo bem. Mas, embora as idéias sejam muito bonitas, ela não consegue produzir uma influência real no meio. Também existe o caso em que a arquitetura de proposição tem interessantes propostas de cunho estético e de renovação cultural, mas que exerce influência negativa na produção local. Por exemplo, o tratamento térmico dos escritórios dos anos 60, 70 e 80 foi catastrófico devido às fachadas envidraçadas e sua desastrosa performance, tanto em termos climáticos quanto de consumo energético.
aU VOCÊ SE REFERE AO INTERNATIONAL STYLE?
DIEZ Sim, não foi uma influência positiva nesse caso. Acho que o interesse deve ser a performance e não somente o que você gosta. É cômodo falar somente do que consideramos uma boa arquitetura. Não se pode dizer "isso não é arquitetura". Nossa disciplina não pode renunciar à sua responsabilidade. Todos os arquitetos são formados na esteira da disciplina Arquitetura, logo sua produção é parte da produção da arquitetura. Mesmo assim, muitos críticos e teóricos atuam como se essa produção não fizesse parte do nosso campo de trabalho.
aU ATUALMENTE, QUE CAMINHOS A ARQUITETURA ESTÁ SEGUINDO, PRINCIPALMENTE NA AMÉRICA LATINA?
DIEZ Na América Latina não é muito diferente de outros lugares. Vemos que o arquiteto deve aceitar cada vez mais sistemas construtivos pré-desenhados e os edifícios acabam sendo o resultado de várias dessas soluções construtivas. Nesse aspecto, os arquitetos têm poucas possibilidades de intervir. No âmbito do urbanismo, há uma grande perda dos escritórios municipais e existe uma tendência de as regras serem fixadas pelos próprios empreendedores, enquanto as operações tendem a se definir pela grande escala e autonomia do restante da cidade. Quanto aos aspectos simbólicos da arquitetura – a comunicação, por exemplo –, também o arquiteto perdeu independência. Muitas obras de caráter comercial têm marcas criadas por profissionais de comunicação, que chegam antes e estão mais próximos do cliente. Isso se sobrepõe aos desejos do arquiteto, estabelecendo condições muito definidas sobre todos os aspectos que integram o edifício, em diferentes graus. O maior exemplo são as franquias internacionais, em que ocorre uma série de especificações do tipo simbólico e o arquiteto é um mero operador dessas condições.
aU VOCÊ SE REFERE A SIMBÓLICO NO SENTIDO DE SIGNO, DE MARCA?
DIEZ E de cores, formas, localização, móveis, tudo isso é codificado por outro profissional.
aU SOBRE A TENDÊNCIA DE A ARQUITETURA ATUAL SE APOIAR MAIS NA TECNOLOGIA DO QUE NA ESTÉTICA, RENZO PIANO AFIRMOU EM RECENTE ENTREVISTA QUE, PARA ELE, NÃO EXISTE DIFERENÇA ENTRE ARQUITETURA E CONSTRUÇÃO, EMBORA RECONHEÇA A IMPORTÂNCIA DE ASPECTOS SIMBÓLICOS AGREGADOS À CONSTRUÇÃO. NA SUA OPINIÃO, ESSA VISÃO SE APLICARIA À ARGENTINA, EMBORA AQUI PREDOMINE UMA ESTÉTICA MAIS RACIONALISTA?
DIEZ Piano projetou o Centro Pompidou com Richard Rogers há muito tempo, com a intenção de que a tecnologia fosse uma expressão racional. Creio que todos nós consideramos o Pompidou como um edifício com estética expressionista, um edifício ornamentado com a tecnologia. Algumas instalações foram projetadas para serem vistas, mas outras estão escondidas. É irônico: a maior parte da expressividade das instalações é forçada, se localiza no exterior do edifício. Como disse Robert Venturi "é muito caro ornamentar por meio da engenharia". Não concordo com a idéia de Piano. A mim parece ingenuidade acreditar que existe somente uma forma de mostrar a relação entre tecnologia e estética.
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