aU A FRASE ESTAVA DENTRO DE UM CONTEXTO EM QUE PIANO LEMBRAVA QUE SEU PAI FORA UM CONSTRUTOR. ASSIM AFIRMAVA, EM SEGUIDA, QUE ARQUITETURA É CONSTRUÇÃO.
DIEZ Gosto muito da vocação dele para a tecnologia. As maquetes, as relações entre as estruturas, tudo isso é muito valioso. Mario Botta disse a mesma coisa, mas a arquitetura dele é completamente diferente. Pode-se estar de acordo ou não.
aU HÁ ALGUMA SEMELHANÇA AQUI COM O QUE PRECONIZAM ESSES ARQUITETOS?
DIEZ O problema tecnológico está subordinado a outras necessidades. Qualquer coisa pode dar certo graças à tecnologia, mas tem um custo alto. Nos países em que vivemos, com tantas necessidades insatisfeitas, os edifícios custam três a quatro vezes mais, não para que sejam duráveis, mas para que sejam esteticamente expressivos.
aU E QUANTO À CONSTRUÇÃO DE CUNHO SOCIAL?
DIEZ Houve pouca produção de perfil social aqui nos anos 90. Valorizamos na revista atualmente pequenos edifícios com quatro a oito apartamentos, desenvolvidos por arquitetos com seu próprio capital. São como uma experimentação, dentro de limites para que possam ser competitivos no mercado. Têm uma boa distribuição do espaço interno e os arquitetos buscam sempre variações. Não são projetos convencionais. Dedicamos uma edição por ano a esse tipo de habitação coletiva, algumas situadas em Rosário e Córdoba.
aU E A CRÍTICA, COMO É ABORDADA NA REVISTA? OU A PRÓPRIA SELEÇÃO DE OBRAS É UMA FORMA DE CRÍTICA?
DIEZ Sim, a seleção é uma forma de crítica. Não podemos escrever o que é ruim no edifício. Publicamos sempre um comentário de um crítico, mais analítico, mais explicativo, falando da importância que a obra tem para a cidade. Em nosso meio não é possível simplesmente criticar, não podemos fotografar uma obra e depois dizer que ela não é boa. Isso não depende tanto do jornalista como do entorno cultural. O jornalista sabe que a mesma pessoa que pede uma crítica mais ácida dos projetos é o que mais se ofende se avaliarmos seu trabalho.
aU COMO AVALIA A PRODUÇÃO ATUAL DO BRASIL? VOCÊ ESTUDOU E LECIONOU EM PORTO ALEGRE, ACABOU DE CONFESSAR QUE É "UM DOUTOR GAÚCHO", DEVE CONHECER MELHOR NOSSOS BASTIDORES.
DIEZ A Ruth Verde Zein, o Carlos Eduardo Comas, o Edson Mahfuz são meus amigos e sempre colaboram conosco. O Roberto Segre também. Conheço apenas obras mais recentes de arquitetos que publicamos, como Gustavo Penna e Ângelo Bucci e, da geração anterior à deles, Paulo Mendes da Rocha. Gostamos muito da arquitetura chilena e os arquitetos contratam bons fotógrafos para documentar seus trabalhos. Também ela se assemelha à nossa, embora os sistemas de produção sejam melhores do que os nossos. Há obras muito boas de Matias Klotz, de Enrique Browne, de Pepe Cruz e de muitos outros.
aU DE UMA FORMA GERAL, COMO CLASSIFICA A ARQUITETURA ATUAL?
DIEZ A massa da produção é catastrófica, mas há coisas muito boas. Na Argentina, custamos a aceitar a arquitetura moderna. Depois, nos apegamos a ela e não a largamos mais. Nesse sentido, a Argentina é um país conservador.
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