De médico e de louco, todo mundo tem um pouco. Quem não ouviu isso antes? Provavelmente, os profissionais da área da construção já tenham sentido, em algum momento, o desejo irônico de acrescentar que "de arquiteto e de engenheiro também". Ironias à parte, a frase reflete as não raras situações quando a concepção e a construção de uma obra ocorrem sem ou com pouca participação dos profissionais da área, transitando no universo dos pretensos saberes populares. Também as áreas médicas, mesmo contemporaneamente, empenham-se em caracterizar a natureza técnica de seu campo de atuação, diferenciando-a dos hábitos e costumes cotidianos ligados à cura das doenças.
Caso nos tranqüilize saber, esse talvez seja um dos pontos a aproximar arquitetura, estrutura e medicina. Antigos campos do conhecimento humano surgidos das experiências empíricas, dos imprevistos e das surpresas. A observação dos fenômenos, a curiosidade de compreendê-los, a coragem de enfrentá-los, a lógica em analisar as conseqüências nos conduziu à formulação de teorias, normas, leis e procedimentos que, hoje, nos permitem agir na resolução dos problemas da vida cotidiana de forma sistemática, buscando resultados previsíveis e ensinando-os às novas gerações. Assim chegamos ao mundo presente das construções seguras e das curas surpreendentes.
Confirmando essa interface interessante, encontramos nos dicionários definições sobre arquitetura e medicina que, curiosamente, se iniciam com a expressão "ciência e arte", respectivamente associada a construir e curar, revelando uma busca semelhante e milenar de certezas científicas amparadas por um amplo conhecimento da vida e dos fenômenos cotidianos. A mesma identidade encontramos no compromisso mútuo com a saúde e o bem-estar humanos e que tem servido como fonte de inspiração para ambas.
A noção da existência de uma estreita relação entre saúde, as influências da vida em sociedade e os recursos tecnológicos têm nutrido a concepção arquitetônica e produzido criativos resultados construtivos.
De origem coreana, mas com percurso profissional desenvolvido no Japão, Toyo Ito propôs para a mostra Hannover 2000, na Alemanha, cuja temática era focada nas relações entre humanidade, natureza e tecnologia, um espaço temático definido como "ambiente de paz", no qual uma arquitetura composta basicamente de luzes, cores, sons e imagens visava a explicitar o conceito de saúde como muito mais do que a simples ausência de doenças, mas sim uma condição perfeita de bem-estar físico e social.
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