Um hospital na periferia de São Paulo e uma creche para crianças de até três anos no centro de Copenhague. Essas duas instalações têm mais em comum do que a missão básica de cuidar de pessoas. Em primeiro lugar, as duas são iniciativas do poder público. A creche, ou day care, pertence ao município da capital dinamarquesa. O hospital foi implantado pela prefeitura de São Paulo, embora sua administração tenha passado para as mãos do governo do Estado em 2006. Porém, o que de fato une esses dois projetos tão distantes e de escalas tão diferentes é o bom design. Para aqueles que precisam se valer dos serviços prestados por essas instituições, contar com um ambiente que, mais do que adequado e correto, também proporciona conforto e bem-estar é uma felicidade e um alívio. Em relação às crianças, em especial as tão pequenas, a atmosfera lúdica colabora para estimular a curiosidade inerente ao cérebro humano e a desenvolver conexões e idéias. Por isso mesmo, a segurança é fundamental. Daí o cuidado que a equipe do escritório liderado pela arquiteta Dorte Mandrup-Poulsen teve em especificar materiais como o revestimento de linóleo para os pisos internos e de borracha granulada na área de recreação instalada na cobertura do edifício. Os guarda-corpos, feitos de tela de poliéster semitransparente, admitem a luz solar e amparam os pequenos de maneira menos traumática que outros materiais, como grades metálicas ou vidro. No Hospital Tiradentes, projetado pelos escritórios Borelli & Merigo e Walter Makhohl Arquitetura, houve muito cuidado em proporcionar uma sensação de bem-estar aos pacientes e funcionários. Assim, no lugar de corredores longos e confinados, circulações largas e bem iluminadas, compartimentadas por ilhas de atendimento e jardins internos. São atitudes projetuais de impacto positivo na recuperação de pacientes e capazes de diminuir o sofrimento sempre presente em hospitais. Uma contribuição indispensável da arquitetura à qualidade de vida.