A seção Fato & Opinião foi inaugurada na edição 132 de AU com a pergunta sobre o Pan-Americano e os benefícios que traria à capital carioca. 26 edições depois, e a dois meses de iniciarem os Jogos, AU volta a perguntar aos mesmos especialistas e arquitetos: O Pan-Americano de 2007 irá trazer benefícios ao Rio de Janeiro? O comitê organizador dos Jogos Pan-Americanos será capaz de realizar um grande evento com benefícios perenes à cidade? Dos entrevistados na primeira seção, apenas o prefeito do Rio, César Maia, não respondeu à redação, mas repassou a pergunta a Ruy Cezar, secretário especial Rio 2007.
Às vésperas dos Jogos, o Rio de Janeiro começa a sentir seus impactos. As obras e os preparativos se aceleram, apesar das dificuldades econômicas e políticas enfrentadas ao longo do processo. A mobilização social já acontece, pelo envolvimento e treinamento de jovens vivendo nas tumultuadas "comunidades" das favelas, para acolher turistas e atletas. Paralelamente, o Rio atrai a atenção mundial na iminência do Cristo Redentor ser escolhido uma das sete maravilhas do novo milênio. O urbanismo e a política, algozes um do outro, talvez não consigam e não logrem fazer dos Jogos a oportunidade de trazer novos contornos às mazelas do território da cidade. Mas, quem sabe, em uma era de símbolos e efemeridades, não seja o Redentor a abrigar a cidade, (re) significando sua imagem multifacetada, encantadora e dilacerada.
Denise B. Pinheiro Machado,
professora Titular da FAU/UFRJ e coordenadora do Prourb,
Programa de pós-graduação em urbanismo da FAU/UFRJ.
Acho que não nos cabe responder: se as obras ficam ou não prontas, se são bem ou mal-feitas. Nem temos dados técnicos para isso. Acredito que estamos carentes de bons parâmetros para serem confrontados e o Pan-Americano exalta um contraponto: pessoas de ambientes democráticos em todo o mundo vêm concorrer com seu próprio recurso, com sua natureza e seus esforços, sem precisar do mundo das drogas para vencer. Nesse sentido, é algo muito positivo ao Rio. Se vai produzir uma situação benéfica eterna, isso não existe. Mas vai estimular algo bom e demonstrar a generosidade e cooperação do povo carioca.
Jorge de Souza Hue,
arquiteto e secretário da ONG ViverCidades.
Infelizmente os benefícios ficarão muito aquém do que foi prometido e era de se esperar. Só o estádio do Engenhão já exemplifica bem a situação, porque simplesmente ninguém sabe o que será dele depois do Pan. A despoluição da Baía da Guanabara ou da Lagoa Rodrigo de Freitas ficou na promessa, novas estações de metrô também e por aí afora. Para não falar das inúmeras suspeitas de mau uso de dinheiro público já manifestadas pelo TCU.
Juca Kfouri,
jornalista esportivo.

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