O formato do terreno, localizado em Paraty, no Rio de Janeiro, foi grande determinante tanto para a implantação como para o partido arquitetônico desta casa projetada por Francisco Eduardo Hue. Assemelhada a um leque, a forma cônica do lote acompanha a perspectiva do observador como se a entrada fosse o ponto de fuga que induzisse o olhar em direção aos fundos, delimitado pela Serra da Bocaina.
Partindo dessa premissa, o arquiteto determinou que a casa seria orientada transversalmente, em dois volumes laterais organizados ao redor de uma sala central interligada ao hall de entrada, de um dos lados, e à varanda, do outro. "A entrada faz a conexão entre os blocos e reforça essa idéia de perspectiva, visto que dela é possível avistar a sala, a varanda e o jardim dos fundos, com piscina e minicampo de golf", explica Hue.
O eixo da construção é, portanto, determinado pelas pérgolas da entrada e da varanda - esta, equipada com lareira -, que interligam as áreas verdes e graduam a transição entre interior e exterior. Dessa forma, a varanda, protegida pelas laterais edificadas, funciona como uma extensão do living, fazendo a ligação com o jardim dos fundos, "como se tudo fosse um único espaço", diz Hue.
Para atender ao casal de clientes - ele, carioca, e ela, paulista -, o programa previu dois pavimentos. "Eles queriam uma casa de veraneio eqüidistante de suas famílias e também com conforto suficiente para receber hóspedes e acomodar os três filhos pequenos", conta Hue. No piso inferior, em um dos volumes principais, o arquiteto projetou as duas suítes das crianças, que levam ao living. No outro bloco, também integrados ao ambiente social, ficam a cozinha e um lavabo. Em um braço paralelo à divisa do terreno, porém também conectado à sala de estar, estão a sala de TV, as dependências de empregada, a área de serviço e lavanderia, mais um lavabo, sauna e churrasqueira.
No andar superior os volumes laterais são interligados por uma passarela interna de 13 m de vão sobre a sala principal. De um dos lados distribuem-se a suíte do casal, aberta para a área de lazer, e uma suíte de hóspedes. Do outro lado, há mais duas suítes de hóspedes, sendo que a maior tem uma copa conjugada. Em todos os quartos foram projetadas três aberturas para circulação de ar. "Elas são as responsáveis pela ventilação cruzada, existente também no piso inferior", diz Hue. No térreo, entretanto, são as janelas e bandeiras pivotantes de madeira pequiá que cumprem esse papel.
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