A história do projeto para a sede administrativa do Instituto Socioambiental, o ISA, foi escrita com os traços de uma cultura secular, ainda enraizada na Amazônia: a das comunidades indígenas. O projeto assinado pelo escritório Brasil Arquitetura, dos arquitetos Francisco Fanucci e Marcelo Ferraz, retrata a singularidade e a beleza das raízes desses povos.
"Fomos chamados para criar esse projeto e, de imediato, ao conhecer a região, o povo e a cultura locais, logo pensamos em contar com a habilidade construtiva das comunidades indígenas", declaram os arquitetos. A idéia para a sede do ISA foi fazer uma edificação singela, com estrutura de concreto complementada com uma espécie de roupagem, toda de madeira, onde estariam os acessos, varandas e abrigo tanto para o sol inclemente quanto para as chuvas torrenciais. Aliás, esse é um item fundamental do projeto: o clima da região extremamente úmido e quente no qual, das 11 às 15 horas, ninguém trabalha ou sai às ruas. Por isso, a sombra é um recurso de grande importância.
O terreno tem cerca de 400 m² e se situa em um local privilegiado, de cota mais elevada, dominante em relação ao rio e à cidade. A solução em três pavimentos deve-se não somente às dimensões do lote, mas também ao programa, já que cada andar corresponde a um uso diferente. O edifício é um quadrado de 16 x 16 m, com 1.083 m² de área construída: no térreo, um salão multiuso é aberto à comunidade para realização de exposições e diversas atividades culturais. O espaço é dotado de itens como computadores, biblioteca, equipamentos de projeção e mapoteca. No segundo piso, acessível por uma escada externa, estão seis apartamentos de pesquisadores residentes por períodos definidos, além de lavanderia de uso coletivo. E o terceiro piso abriga a área de convivência, composta por escritório, sala de reuniões, cozinha, terraço para festas e redário (espaço para redes). Esse pavimento, não previsto no programa, transformou-se no grande destaque da edificação, inclusive pela belíssima vista para o rio.
Em estrutura convencional de concreto e alvenaria, a edificação ganhou uma espécie de capa envoltória de madeira capaz de protegê-la das chuvas intensas e criar a sombra tão necessária – além de formar um agradável avarandado. "Um dos momentos mais prazerosos é ficar na varanda em um final de tarde e sentir a brisa que vem do rio", afirma Marcelo Ferraz. Para reforçar a ventilação cruzada, as janelas são altas e as portas, do tipo veneziana.
Em todos os espaços internos há trabalhos do artesanato local. No segundo piso, por exemplo, o forro ganhou revestimento em cestaria. Ali, algumas aberturas deixam passar focos de luz para iluminação pontual.
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