A palavra "conivente" infelizmente atinge departamentos de compras e mesmo alguns facilities, que deveriam se chamar difficulties, ou decoradores que deveriam se chamar decoratrizes e que, todos esperamos, representam sempre uma minoria na profissão. Mas que repito, estes não são os culpados pela mentalidade ignorante de um país que remunera vergonhosamente um trabalho técnico de qualidade, e que tem de sobreviver a essa política nacional da "ode à pobreza". Pobreza até muito mais mental e cultural do que econômica.
Não acredito em chorar sobre Bourbon, Scotch, Schnapps, Porto, Armagnac ou Sakê derramados (trabalhamos com estrangeiros), mas é uma tristeza ver uma profissão reduzida totalmente em sua importância pelos métodos, valores e processos de contratação "neste país". Também não acho que criticar só por fazê-lo, sem propor soluções e alternativas, seja uma atitude positiva. Mas, sinceramente, como se muda a mentalidade de todo um país?
Conforme meu brilhante xará Porto (Stanislaw Ponte Preta) ou locupletamo-nos todos ou restaure-se a moralidade pública.
PS: As regras jornalísticas desaconselham o discurso em primeira pessoa. Eu as transgrido porque é muito mais simples dar exemplos quando se está no mercado de trabalho, no país real e não só como crítico ou funcionário público. Assim, aí vão dois exemplos em um mesmo trabalho.
Anos atrás fui contratado diretamente para um grande projeto de interiores para uma empresa norte-americana de telecomunicações. Após a assinatura, o cliente me informou, rindo, que um conhecido escritório o procurou dizendo que não sabíamos projetar escritórios... O mesmo cliente, que jamais discutiu nossos honorários, ao final do projeto propôs reduzi-los, dizendo que outro escritório se propunha a fazer toda a compra de mobiliário sem cobrar nada. O cliente acabou aceitando a oferta e comprou o mobiliário de representantes de uma empresa norte-americana cuja única venda no Brasil foi essa, tendo em seguida abandonado o país sem assistência técnica, manutenção, substituição etc.
Como se vê, até gente de países eficientes sucumbe rapidamente ao sistema das "reservas técnicas", ainda mais quando as reservas de qualidade estão todas como Ronaldo. No banco dos reservas.
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