As mudanças nas relações de trabalho, com o aumento da competição e a cobrança por resultados, vêm provocando alterações nos escritórios. As maiores empresas já perceberam que a produtividade depende também do bem-estar do funcionário no ambiente de trabalho, o que inclui um espaço com iluminação adequada. Não foi à toa que, nos últimos quatro anos, a revisão da norma européia EN 12.464 (Iluminação em ambientes de trabalho) deixou de focar apenas a manutenção da acuidade visual para considerar também os aspectos de conforto visual, principalmente para tarefas no período noturno, explica o lighting designer Plínio Godoy.
A principal necessidade é iluminar com eficiência, sem criar ofuscamentos ou sombras que dificultem a execução das tarefas e, ainda, tirar partido da luz como meio de integrar ambientes e valorizar a arquitetura. Um bom projeto luminotécnico para um espaço corporativo, de acordo com o arquiteto Carlos Bertolucci, titular do escritório Companhia de Iluminação, precisa levar em conta itens como a uniformidade de iluminação, evitando pontos escuros ou superiluminados; nível de iluminamento, obedecendo a padrões, funções e normas; rendimento de luminárias, reatores e lâmpadas; além de manutenção e depreciação.
Duas tendências, em especial, impulsionam o desenvolvimento de soluções para esse mercado e adicionam complexidade ao trabalho dos projetistas. A primeira é a necessidade de customização da iluminação em função da estação de trabalho. "Ainda há dificuldade de compreender como o ser humano interage com a luz artificial. Mas se sabe que as pessoas manifestam reações fisiológicas diferentes diante de uma mesma fonte de luz", comenta a arquiteta e consultora em iluminação Neide Senzi. O desenvolvimento de dimerizadores inteligentes e de controles individuais de luminárias, por exemplo, responde à proposta da iluminação personalizada.

Outra premissa dos novos tempos é a conservação de energia. Vários países já regulamentam ações para racionalizar o consumo energético. A Austrália, por exemplo, anunciou um plano para tirar de circulação as lâmpadas incandescentes e substituí-las pelas fluorescentes compactas. Cuba e Venezuela contam com programas semelhantes e, no estado norte-americano da Califórnia, é obrigatório que os proprietários de novas residências instalem lâmpadas compactas economizadoras. "Em breve os projetos vão ter de se pautar por um limite máximo de watt por metro quadrado, o que demanda do projetista muito trabalho, criatividade e conhecimento das tecnologias", acredita o arquiteto Gilberto Franco, presidente da Associação Brasileira dos Arquitetos de Iluminação (AsBAI) e sócio do escritório Franco & Fortes.
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