Grades, muros, cercas elétricas e a proliferação de condomínios fechados são algumas das interferências que o medo da violência provoca na paisagem urbana. Mas de que forma a arquitetura e o urbanismo interferem nessa violência? É possível minimizar o problema simplesmente com a implementação de conceitos arquitetônicos e urbanísticos específicos? Independentemente da resposta, existe um consenso entre os profissionais da área de que os atuais recursos espaciais de segurança - ainda que bem intencionados - só contribuem para perpetuar o problema. Um primeiro e importante passo para diminuir a violência seria usar a arquitetura e o urbanismo para intensificar a vivência urbana, diminuir a segregação espacial e melhorar a qualidade de vida dos cidadãos. AU conversou com arquitetos, políticos e sociólogos para saber se, afinal, a arquitetura e o urbanismo podem contribuir para a diminuição da violência
A sociedade na Idade Média construía as muralhas e fossos ao redor das fortalezas para se proteger do inimigo. Os muros altos que circundam nossas casas e condomínios não são diferentes: nos isolam da rua, do passeio, da praça e da cidade - que acabam sendo propriedades de ninguém e, desta forma, marginais e violentas. Além dos muros altos, são exemplos da decadência urbana o crescente número de condomínios fechados e os sofisticados sistemas de segurança. Mas, quando permitimos a abertura das janelas das nossas casas à rua - os 'olhos da cidade' - estamos compartilhando o espaço com toda a sociedade, deixando o isolamento e enfrentando em parceria os bons e maus momentos.
Silvio Parucker,
arquiteto e coordenador do curso de arquitetura
e urbanismo da Universidade Federal do Paraná
Sim. Exemplo disso são os projetos de intervenção social e revitalização de áreas públicas de lazer e cultura que resgatam a identidade cultural de uma determinada comunidade, incentivando a sua ocupação e preservação e, dessa forma, elevando a sensação de segurança. O restauro e a reconversão de uso de sítios urbanos e monumentos históricos também contribuem para o desenvolvimento econômico do entorno, impulsionando o turismo e elevando a qualidade de vida das populações envolvidas. O poder público tem apostado nessa estratégia, pois as ações privadas e fragmentadas de proteção (muros, grades, câmeras etc.) aumentam a segregação social e são ineficazes na diminuição da violência.
Bruna Charifker,
arquiteta e socióloga do Núcleo de Estudos
da Violência (NEV) da USP

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