Com exceção da porta de entrada, a residência não possui integração visual com a cidade. E é esse mesmo o objetivo: a construção, de linhas retas e formas simples, foi projetada pelo arquiteto Marcio Kogan como um refúgio para a moradora, que desfruta de total privacidade mesmo com as portas e janelas abertas. Implantada em um terreno longo e estreito da zona Sul de São Paulo, a casa Montanarini parece pequena vista de fora. Por dentro, surpreende pelos espaços amplos e livres, com destaque para a sala de estar de pé-direito duplo que se funde a um pátio interior.
No segundo pavimento, um terraço cercado por paredes altas e cegas capta luz natural para o quarto da proprietária e, assim, a área íntima é isolada acusticamente de uma movimentada rua. Kogan reconhece que o partido arquitetônico intimista privilegia o isolamento e, de certa forma, nega a metrópole. "Nos dias de hoje, por razões de segurança, a casa perdeu a interação com a cidade", afirma o arquiteto, que planeja fazer um documentário sobre a capital paulista, cidade pela qual nutre um sentimento de amor e ódio, e cuja complexidade o fascina.
Antes de se formar em arquitetura pela FAU-Mackenzie, em 1977, Kogan atuou como cineasta. Com o amigo e também arquiteto Isay Weinfeld - com quem projetou o Hotel Fasano (AU 119) e o Edifício Minneapolis (AU 132) -, realizou longas-metragens como Paixão maldita (1975) e Fogo e paixão (1987). Kogan admite que o cinema o inspira a criar volumes arquitetônicos que seguem a proporção de uma tela de cinema (widescreen), além dos espaços criteriosamente enquadrados pelas aberturas e pórticos que funcionam como a lente de uma filmadora.
Tais características estão bem evidentes em obras como a casa BR, em São Paulo, e a casa Du Plessis (AU 123), em Paraty, RJ. Ambas deram projeção internacional ao escritório de Kogan ao vencer o Prêmio Record Houses, promovido pela revista norte-americana Architectural Records.
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