Existem tendências no design e na decoração? Muitos negam. Alguns consideram
que a tendência da moda se reflete no design. No entanto, a moda propõe
coleções em um ciclo contínuo ligado às estações do ano, enquanto para
um objeto se tornar exeqüível e vendável são necessários períodos às vezes
bem superiores a um ano. A criatividade no design é dispersa, fragmentada
em dezenas de atores cujo peso, no conjunto, é relativamente pequeno.
Isolar tendências, principalmente as de "longo prazo" - e não necessariamente
contrastantes entre si -, é sempre possível. O minimalismo, por exemplo,
apesar de muitos afirmarem que está desaparecendo, é ainda muito presente
em todos cenários apresentados na 46ª edição do Salão Internacional do
Móvel, em Milão, Itália, que se mantém como a principal mostra de design
do mundo. Em contrapartida, o deconstrutivismo começou a fazer parte do
design há pouco tempo e está adquirindo força com uma poética orgânica.
É um tema importante, sem a menor dúvida, esse da natureza e seus elementos.
O esforço em fazer coincidir inovação com sustentabilidade é visível em
muitos objetos, revelando uma fortíssima fonte de inspiração que oscila
entre resultados espetaculares e glamourosos, e outros com ar triste e
empobrecido.
A pesquisa de novas tecnologias e materiais, além do ressurgimento de
materiais esquecidos, se reflete em um design audacioso, visionário, por
vezes futurista, metafórico e até mesmo surreal, tanto no desenho das
formas quanto em sua funcionalidade. Cada linguagem, como é justo que
seja, tem sua aparência, suas especificidades.
Derrubada foi a tendência dos móveis baixos, de estilo japonês. Algumas
curvas substituíram as linhas rigorosamente retas. Os sofás extra-large
são substituídos por sofás de dimensões normais. Há quem acredite que
este seja o momento do triunfo do objeto em si, isto é, um totem doméstico.
Com isso, o conceito da casa onde tudo combinava, desaparece. Hoje se
transita com indiferença de um objeto de design a um antigo e outro artesanal,
um luxo doméstico feito por grifes de prestígio. A forma se libera do
jugo do funcionalismo. São as tendências e poéticas do objeto, que variam
de um ano para outro mais rapidamente.
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