Na década de 70, Nova York abrigava uma badalada casa noturna, o Studio 54. Surgido no auge da disco music, o espaço logo se tornou símbolo de glamour e diversão para um seleto grupo de ricos e famosos. Três décadas depois, no bairro de Pinheiros, em São Paulo, o Norcal Studios faz uma leve analogia a esse clube.
O estúdio projetado pela Drucker Arquitetura, diferentemente da edificação da 54th West Street, destina-se à gravação, masterização e produção musical e, coincidentemente, situa-se no número 54 de sua rua - razão pela qual Brendan Duffey e Adriano Daggam, produtores musicais e proprietários do estúdio, optaram pelo grafite no muro de entrada que reproduz, entre outros desenhos, o logotipo do Studio 54.
O imóvel escolhido para acolher o estúdio brasileiro, construído em 1963 para fins residenciais, encontrava-se em avançado estado de deterioração. E apesar da privilegiada localização, possuía problemas acústicos tipicamente urbanos agravados pela rota local de vôos. Ou seja, apresentava uma série de condições desfavoráveis à execução de um estúdio profissional, onde os ruídos de fundo não podem ultrapassar 25 dBA.
Para solucionar essa questão a equipe de Monica Drucker e o engenheiro de acústica Davi Akkerman, da Harmonia e Acústica, desenvolveram um projeto integrado que priorizou a acústica na área dos estúdios de gravação e manteve o custo acessível para os materiais secundários, como móveis, pisos e decoração, que deveriam apresentar boa durabilidade.
Cinco salas precisaram de tratamento sonoro. No pavimento superior estão localizadas as duas principais salas de gravação: uma de 24,5 m2 destinada a bandas e outra de 7,5 m2 para gravação de vocais e instrumentos de cordas. Ambas, assim como as salas de ensaio nos demais pavimentos, têm fechamento de tijolos de barro maciço, provenientes da construção original, inclusive na vedação das janelas, por ajudar no isolamento sonoro. Já o drywall aplicado no revestimento interno foi escolhido pela leveza. "Percebemos que a casa não suportaria mais uma parede de alvenaria, então adotamos estruturas mais leves e partimos para o uso de massa-mola-massa", explica Marcos Holtz, arquiteto da Harmonia Acústica. De acordo com essa técnica, a parede de tijolo recebe uma camada de lã de rocha e posteriormente as placas de gesso, formando um sanduíche. "As placas devem ser destacadas do piso para evitar que a vibração suba pelas paredes", avisa Holtz.
Além disso, difusores com furações variadas foram instalados dentro dos estúdios para propagar diferentes freqüências e evitar o efeito comb filter, que faz com que o microfone capte as ressonâncias dentro da sala atrapalhando a gravação.
No estúdio para gravação de voz um pequeno tapete encontra-se abaixo do microfone para barrar as early reflections (primeiras reflexões). "Os cantos também possuem absorvedores diafragmáticos de graves, feitos do mesmo acabamento das paredes de gesso (que têm 4 cm), mas com espessura de 6,5 mm", diz Holtz.
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