O pé-direito das salas do último andar
possuía apenas 2,5 m, altura inferior à recomendada pelos engenheiros acústicos para atingir
a "proporção de ouro", ou seja, a melhor
relação entre largura, comprimento e altura para distribuir
o som no ambiente. Por isso, a equipe estrutural optou pela demolição
da laje existente e da cobertura de telhas de amianto, aumentando
o pé-direito para 3,9 m. Segundo a arquiteta Monica Drucker,
algumas dificuldades tiveram que ser contornadas durante a reforma,
principalmente na execução das cintas de amarração
periférica. "As alvenarias externas que fariam divisas
com os estúdios de ensaio e gravação foram
revestidas pelo lado de fora com uma camada de tijolo de barro maciço
para evitar qualquer troca sonora com o exterior." Outro ponto
refere-se aos pilares geminados. "A implantação
das cintas poderia causar danos estruturais na casa ao lado, o que
nos obrigou a redobrar os cuidados", diz.
O tipo de laje executada foi a treliça nervurada bidirecional
(apoiada na viga periférica) que venceu o vão de 10,7
x 10,7 m e foi preenchida com placas de isopor (EPS), que, apesar
do custo elevado, são mais leves que a usual lajota cerâmica
perfurada, e concreto auto-adensável (CAA) de fck 25 MPa.
Por fim, um bunker de areia com sacos de 30 x 40 cm foi colocado
sobre a laje para minimizar o ruído de fundo.
Já a cobertura recebeu telhas metálicas termoacústicas
de chapa galvanizada e poliuretano apoiadas sobre perfis metálicos "C",
que garantiram leveza à estrutura. "A madeira não permitiria vencer
os vãos existentes sem apoios intermediários. Por
isso optamos pelos perfis metálicos", explica a arquiteta.

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