Um belo dia, chega a missiva: "Egregio signore architetto: Todos aqui em nossa aldeia sabemos do prestígio e da importância de vossa família e como Vossa Excelência ama as vossas ovelhas, a vossa casa, as vossas amantes, os vossos filhos, o vosso escritório e a vossa mulher, nessa ordem. Para nós seria um choque se, por acaso, algo de mal sucedesse a Vossa Senhoria ou a alguma dessas vossas propriedades. Nem pensar se uma bomba ou um incêndio ou alguma outra fatalidade pudesse vir a turvar os horizontes de uma clã tão respeitada como a vossa. Exatamente por isso, estamos em condições de lhe oferecer total proteção, mediante o pagamento de uma taxa por cada serviço que V. Excia. executar. Lembramos que a taxa e a proteção têm incidência nacional e não somente aqui na aldeia de Corleone".
Cada novo município, novo ministério, novo deputado, novo funcionário público representa custos que são divididos pela sociedade. O nome dessas taxas é "imposto", muitíssimo adequado, porque se não fosse imposto, ninguém os pagaria. Como dizem os norte-americanos, as únicas coisas das quais se tem certeza na vida são death and taxes (morte e impostos). E impostos só são corretos e justos se corresponderem a serviços prestados à sociedade. Digamos que essa é a diferença fundamental entre a Escandinávia e o Brasil.
Um conselho profissional tem necessidade evidente de meios para a sua sobrevivência, e o Conselho de Arquitetura não será diferente.
As sinceras e boas intenções se perdem frente à tarefa descomunal de administrar uma miríade de profissões diversas, que há algumas décadas poderiam estar próximas, mas foram separadas pela especialização.
Os arquitetos se batem há anos para terem o seu conselho profissional. Nada mais justo. Independentemente da mistura que significaria colocar, por exemplo, médicos, farmacêuticos, dentistas, veterinários e macumbeiros no mesmo conselho, o seu simples gigantismo exigiria valores absurdos em troca de serviços lastimáveis.
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