Desde que concluiu um mestrado na Technical University of Delft, na Holanda,
onde se aprofundou no tema arquitetura sustentável, Fabio Zeppelini
procura incorporar em suas obras soluções que minimizem
o impacto ambiental. Não poderia ser diferente com a Casa 4, uma
construção bem arejada e iluminada, com vista privilegiada
para o vale de Campos do Jordão, cidade serrana no interior de
São Paulo. A madeira laminada colada, material de reflorestamento,
compõe a estrutura da sala de estar de pé-direito duplo.
A casa foi erguida com a menor movimentação de terra possível
e sem que nenhuma árvore do terreno precisasse ser derrubada.
O arquiteto conta que desenvolveu a linguagem arquitetônica de "maneira
intuitiva", mesclando materiais como madeira, pedra, vidro e tijolo
requeimado de forma contemporânea. A estrutura de pínus laminado,
destaque do projeto, foi combinada com outra, de concreto. A resistência
da madeira laminada à compressão é elevada (30 Mpa),
superior à resistência do concreto com os traços usuais.
Já no que se refere à flexão, a resistência
do concreto é superior à da madeira laminada, devido à
influência do aço.
"Quis fazer algo que diferisse dos chalés de montanha, típicos
da região", explica Zeppelini, que evitou compartimentar os
espaços na casa. Todos os ambientes estão voltados para
a sala de estar de pé-direito duplo, implantada na cota mais baixa
do terreno.
O projeto tira partido do suave declive do lote para explorar a vista
do vale, a sudeste. De qualquer ponto da casa, inclusive das três
suítes, voltadas para o norte, é possível observar
a bela paisagem externa. Brises horizontais feitos com as mesmas réguas
do deck de pínus controlam o intenso nível de insolação
na fachada sudeste, principalmente no período da manhã sem,
no entanto, afetar as visuais externas. A luminosidade também penetra
o interior da construção pela abertura zenital formada pelo
desnível das duas águas da cobertura de telhas de concreto.
Na estrutura de pínus laminado da sala de estar, os elementos
metálicos de fixação são discretos, quase
imperceptíveis. "Essas soluções de encaixe e
fixação são mais comuns na Europa, assim como o uso
de madeira laminada", completa Zeppelini. Ele cita como referência
as obras do arquiteto italiano Renzo Piano, mais especificamente o Centro
Cultural Jean-Marie Tjibaou (1998), na Ilha de Nova Caledônia, coração
do Pacífico Sul, cujo sistema de encaixe das colunas - guardadas
as devidas proporções - serviram de inspiração
para o da residência. "Nessa obra, Piano fixou a chapa no sentido
transversal da coluna de madeira, enquanto eu optei pelo longitudinal",
acrescenta.
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