Praça do Patriarca, 1920. A cena urbana remetia à Belle
Époque francesa, com suas construções marcadas pelo
ecletismo e revelando o glamour e o brilho de uma época. O arquiteto
Ramos de Azevedo projeta, então, o edifício Lutetia, evocação
do nome dado pelos romanos à cidade de Paris. A família
Álvares Penteado, uma das mais tradicionais da sociedade paulistana,
destina o prédio para uso comercial. O entorno já estava
formado pela Igreja de Santo Antonio (1640), do outro lado da praça,
e a edificação do primeiro Mappin Stores completando o quarteirão
e compondo a Praça do Patriarca. Do outro lado do viaduto do Chá
o esplendor do Teatro Municipal e do prédio da Light & Power.
Exemplo marcante da arquitetura que predominou no centro paulistano naquele
período, o Lutetia é um símbolo histórico
tombado em 1992 pelo Conselho Municipal de Preservação do
Patrimônio Histórico, Cultural e Ambiental da Cidade de São
Paulo (Conpresp).
Praça do Patriarca, 2000. A região central da cidade,
já muito deteriorada, passa por um plano de revitalização.
A Praça do Patriarca ganha um projeto ousado e polêmico:
o pórtico metálico concebido pelo arquiteto Paulo Mendes
da Rocha, que substitui a antiga marquise da Galeria Prestes Maia sobre
a escadaria de acesso ao Vale do Anhangabaú. Ao projeto de revitalização
da praça, une-se a Fundação Armando Álvares
Penteado (Faap), herdeira do edifício Lutetia desde a década
de 50, para realizar a restauração do prédio e lhe
imprimir novo uso - agora, em vez de escritórios, passa a
ser residência artística. Nos moldes da Cité des Arts,
de Paris (local que hospeda artistas do mundo todo, inclusive os da Faap),
o Lutetia abriga temporariamente (mínimo de dois e máximo
de seis meses) artistas estrangeiros que vêm a São Paulo.
"A idéia é que a pessoa produza algum trabalho ou
uma pesquisa e que haja uma troca com os alunos da Faap. Por isso oferecemos
condições para que conviva e entenda a cidade, a cultura,
as pessoas", afirma o professor Marcos Moraes, diretor da faculdade
de artes plásticas da Faap e um dos coordenadores do projeto.
Originalmente o Lutetia era um prédio que se estendia até
a esquina com a rua São Bento. Ao longo dos anos foi sendo desmembrado
e hoje faz parte de um conjunto de três prédios independentes
com fachada única. Implantado em um terreno de 256 m², o Lutetia
possui oito pavimentos que anteriormente eram ocupados por inúmeras
salas de escritórios e foram substituídas por lofts para
acomodar os artistas.
Em 2000, foram executadas primeiramente as obras de restauro da fachada
sob a coordenação do professor Munir Buarraj, do curso de
arquitetura da Faap, que em conjunto com os alunos, técnicos do
IPT e a construtora Cláudio Helou, criou o projeto que devolveria
ao Lutetia o brilho dos anos 20. Levantamentos fotográficos rigorosos
revelaram todos os detalhes do edifício, como a técnica
construtiva de concreto e alvenaria e os desenhos dos ornamentos característicos
das construções da época, assim como uma cuidadosa
investigação para descobrir as cores da pintura e das esquadrias
originais. Tudo foi recuperado e refeito, inclusive os espaços
internos de uso coletivo como hall de entrada, guarda-corpo e corrimão
da escadaria e elevadores.
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