Ponto de intenso movimento na avenida Paulista, o Conjunto Nacional é
um raro empreendimento de uso misto em São Paulo. Planejado na
década de 50 pelo arquiteto David Libeskind, o complexo é,
desde 1969, endereço da Livraria Cultura, empresa criada em 1947
e que hoje possui um catálogo diversificado com mais de dois milhões
de títulos, além de CDs e DVDs. A Cultura ainda organiza
dentro de suas lojas concertos, shows, noites de jazz, palestras, "cafés
filosóficos" e noites de autógrafos.
Aos 60 anos, a empresa comandada pela família Herz executa seu
plano de expansão e implanta novos conceitos de marca e identidade
visual, além de investir seis milhões de reais na abertura
de uma nova loja no Conjunto Nacional, na área antes ocupada pelo
Cine Astor, fechado há seis anos. Com 4.300 m2 distribuídos
em três pavimentos, a megastore reúne as quatro unidades
que estavam espalhadas pela galeria do Conjunto Nacional, transformando-se
em centro de cultura e entretenimento.
O Cine Astor quase virou igreja evangélica, bingo e casa de espetáculos.
Tombado pelo Condephaat e com piso inclinado, "problemas" segundo
os locatários desistentes, estava às moscas quando foi salvo
pela família Herz, assumindo de vez a vocação desse
espaço para a cultura.
Foram justamente a declividade e o tombamento do edifício que
conduziram o partido do projeto na prancheta de Fernando Brandão.
O arquiteto, que se autodenomina um "outsider da escola paulista
de arquitetura", é responsável por duas filiais da
rede de livrarias na capital paulista e pelas lojas em Brasília,
Porto Alegre e Recife. Ao tratar da sede no Conjunto Nacional, Brandão,
que tem o dom de lidar com o lúdico e o imaginário, recebeu
a missão de dar unidade à rede - incluindo áreas
para exposição e venda de DVDs e CDs -, e alinhar
o ambiente à nova identidade visual. A loja conta ainda com um
café e uma sala de teatro.
Centro de entretenimento
Atendendo à premissa de que a nova unidade da avenida Paulista
deveria ser um centro cultural, Fernando Brandão baseou-se no conceito-padrão
da unidade do Shopping Villa-Lobos, na zona Oeste de São Paulo,
e adaptou o projeto ao layout do espaço. O arquiteto tirou partido
da declividade do galpão, distribuindo os espaços ao longo
do piso inclinado e em três pavimentos. A proposta também
respeitou a concepção de Libeskind em que a entrada principal
ficava no corredor da alameda Santos.
PÁGINAS :: 1 | 2 | 3 | Próxima >>