Dujovne, Baudizzone, Converti. Nomes que poucos conhecíamos e
deles só sabíamos por causa de Jorge Glusberg. Ouvíamos
falar de Amancio Williams, de Miguel Angel Roca, de Clorindo Testa -
o nonino sin adiós - assim como eles conhecem Niemeyer e
Burle Marx. Vicente Wissenbach há muitos anos apresentou os arquitetos
do Brasil em Buenos Aires e Jorge Glusberg trouxe os argentinos ao Masp.
E houve naturalmente as extraordinárias Bienais Internacionais
de Glusberg, mas só para a Argentina. Agora, ainda que de maneira
apressada e atribulada, pudemos ver a "nova" arquitetura argentina
em três dias. É como quando Piazzola se apresentava e dizia
que "temos o prazer de apresentar-lhes o novo tango que já
tocamos há mais de 30 anos...".
A
Argentina trilha há décadas, talvez há mais de um
século, a arquitetura internacional. Essa opção aparece
desde os seus prédios neoclássicos (atenção:
bem-feitos!) e calçadas que lembram a gasta imagem da comparação
com Paris, mas que estão mais para Madrid, até o art-déco
americano do edifício Kavanagh e o modernismo dos anos 50, período
em que a produção argentina lembra, no caso dos edifícios,
o trabalho do norte-americano SOM e, com relação às
residências, a obra de Richard Neutra.
Então surgiu nos anos 40 a arquitetura brasileira que encantou
a crítica internacional. Nunca a produção dos dois
países esteve tão distante. Como a Argentina (leia-se, na
época, Buenos Aires), além de parada por décadas
só projetava "internacional", o "estilo" brasileiro,
turbinado pela construção de Brasília, arrasou.
Aí, por caminhos ínvios, regredimos ao brutalismo da moda,
ao concreto aparente nem pré-moldado, nem pré-tendido, mas
pré-deteriorado, que nos uniformizou para pior com o resto do mundo,
porque perdemos as imagens dos anos 40 e 50. Ao contrário da Argentina,
um país europeu, para nos destacarmos tínhamos de usar a
identidade nacional, que se perdeu com o brutalismo.
Voltamos, indiretamente, com o advento do postmodern. Não pelo
postmodern em si, mas pela liberdade de projetar aberta pelo desafio aos
cânones do modernismo, ainda que permaneçam em todo o mundo
os resquícios dos concretossauros, betonssauros, hormigonssauros
e ultrapassauros. Ao sairmos das cavernas, como ursos depois do inverno,
encontramos nas ruas - e desta vez de maneira internacional -
a arquitetura... internacional.
Estamos nos adaptando a essa situação porque chegamos tarde.
O que levou a arquitetura ao impressionante desenvolvimento atual foram
recursos e tecnologia, mas o Brasil não dispõe dessas dádivas
que naturalmente estão nos países ricos do norte e na Ásia.
Sempre no mais barato, no mais mesquinho, no gasto mínimo, não
temos como competir. Cercados pelos que investem, sejam particulares ou
governamentais, e pela pressão das construtoras, ficamos sem poder
de decisão.
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