Ter um bom projeto de revestimento de fachada é a primeira ação que se deve tomar. Segundo Eleana Patta Flain, engenheira e professora de arquitetura do Mackenzie, os maiores entraves para o uso de qualquer revestimento em edifícios altos ou de grande porte estão ligados à falta de planejamento das atividades que serão desenvolvidas. O engenheiro Ragueb Banduk complementa afirmando que, no caso da utilização da argamassa para revestimento, deve-se estar atento não apenas à preparação das argamassas (chapisco, emboço e acabamentos finais), mas também à seleção das características técnicas das argamassas e às condições da base para a aplicação desses materiais. Segundo o engenheiro, os prédios altos possuem, por exemplo, concreto aplicado nas estruturas, principalmente dos andares inferiores, com desempenhos mecânicos majorados (concreto de alto desempenho) o que faz com que a superfície seja mais lisa e com pouca porosidade superficial aberta. Essa característica dificulta a aderência das argamassas sobre o substrato e exige maior cuidado no preparo das bases de concreto, que devem apresentar superfície áspera e rugosa, sem impregnação de oleosidade ou gordura. Portanto, sugere Eleana, é importante a utilização de desmoldantes menos gordurosos que possam ser removidos da epiderme do concreto com mais facilidade. A escovação manual (com escova de cerdas de aço) ou o apicoamento mecânico da superfície podem promover superfícies que potencializam a aderência dos revestimentos cimentícios. Além disso, as argamassas devem ser estudadas levando em conta tanto a resistência de aderência superficial quanto as adições de retentores de água, visto que edifícios altos estão mais sujeitos a intempéries como vento muito intenso e alta insolação – fatores que podem ocasionar a secagem rápida da argamassa, com conseqüente quadro de fissuração e deficiência de seu comportamento mecânico, o que compromete a durabilidade do revestimento.
Pelo mesmo motivo – a ação das intempéries – deve ser feito um controle preventivo do comportamento da alvenaria e do revestimento. Minuciosas inspeções periódicas devem registrar as anomalias ocorridas para que seja programada a recuperação pontual dessas deficiências. Deve-se salientar que a estrutura do edifício é passível de deformações estruturais lentas ao longo do tempo, além de deformações devidas às variações térmicas transmitidas diretamente aos revestimentos da fachada, podendo causar fissuras. Ragueb dá outra solução a edifícios altos e explica que a opção por fachadas pré-moldadas é a mais utilizada em grandes centros, onde a preocupação com a rapidez da construção é maior do que a com economia, pelo fato da execução ser menos trabalhosa e muito mais rápida. Porém, a utilização de argamassa é uma opção bastante recorrente quando a intenção é diminuir o custo total da obra.
QUAIS AS OPÇÕES PARA FECHAR O AMBIENTE DE UM BAR SEM CONTAR COM UM SISTEMA DE CLIMATIZAÇÃO, ALÉM DE VENTILADORES?
Matheus Tavares, estudante de arquitetura
e urbanismo (Aracaju)
Quando se trata de climatização não há como encontrar soluções ideais quando não se define o tamanho, a função e a quantidade de pessoas do ambiente em que será montado o bar, afirma o engenheiro Fulvio Vittorino, do Instituto de Pesquisas Tecnológicas do Estado de São Paulo (IPT). Para Vittorino, independentemente da utilização de vidros temperados, qualquer ambiente inteiramente fechado, que conte somente com ventiladores, não pode ser inteiramente agradável. Isso porque, com o decorrer do tempo, o ventilador não fará mais efeito como forma de refrigeração e a qualidade do ar será totalmente prejudicada porque os ventiladores apenas circulam o ar, sem renová-lo. O engenheiro afirma que, se o local possuir uma boa ventilação natural, não é necessária a implantação de um sistema de climatização. Porém, nesse caso, em que a poluição sonora é questão crucial, é aconselhável a instalação de um sistema de refrigeração que, ao mesmo tempo, renove o ar. Outra solução possível, mas que também deve ser considerada de acordo com o ambiente, é a climatização por meio de materiais que absorvam calor, instalados no forro.