Dez premiados e doze menções honrosas para jovens talentos em todo o Brasil, entre 125 obras e projetos inscritos. Esse foi o resultado da oitava edição do Prêmio Jovens Arquitetos, realizado pelo IAB-SP e pela Associação de Amigos do Museu da Casa Brasileira (MCB). A cerimônia de premiação aconteceu dia 15 de junho, no MCB, em São Paulo.
Os prêmios foram divididos em cinco categorias: projeto de arquitetura não-executado, projeto de arquitetura - obra construída, urbanismo não-executado, urbanismo implantado e ensaios críticos. Além da láurea, os premiados receberam uma assinatura anual de AU.
A diversidade agradou os organizadores: "Houve grande representatividade nacional, com qualidade muito expressiva em todo o País", exaltou Gilberto Belleza, presidente nacional do IAB, que admitiu que um dos critérios de julgamento leva em conta a variedade das regiões brasileiras, com valorização de aspectos locais.
"A maior representatividade no Prêmio coincide com o progressivo aumento na qualidade dos trabalhos, o que nos deixa muito satisfeitos", conclui Belleza.
Na abertura da solenidade, Arnaldo Martino, presidente do IAB-SP, também mencionou a evolução da qualidade: "O significado do prêmio é a melhoria contínua e crescente de nossa arquitetura", pontuou.
Para José Magalhães Júnior, membro do júri nas categorias de urbanismo (ao lado de Guilherme Lemke Motta e Heloisa Maria de Salles Penteado Proença), contudo, a escassez de inscritos na categoria (foram dez, no total) revela uma triste realidade nacional, que é "o pequeno investimento em uma grande necessidade brasileira, com avaliação crítica do espaço por uma visão interdisciplinar, ainda não muito madura nos jovens arquitetos", ponderou. E encerrou seu discurso propondo uma reflexão: "Por que o urbanismo é tão pouco interessante"?
Enquanto projetos urbanísticos estão escassos, a categoria "arquitetura" foi a que mais recebeu inscrições e a que mais premiou. Foram 98 inscritos, com seis prêmios e doze menções honrosas. A diversidade de programas levou o júri a propor mais divisões. Mario Biselli, um dos membros do júri nas categorias de arquitetura, ao lado de José Augusto Fernandes Aly e Marcelo Suzuki, leu a ata do júri, que propôs o estabelecimento de novas categorias de uso, dividindo residências de outros campos de atuação. De acordo com o júri, as residências são "um relevante campo de atuação dos jovens arquitetos, como estabelecimento definitivo de sua atuação profissional". O vencedor na categoria arquitetura - projetos concluídos foi o grupo formado pelos arquitetos Apoena Amaral, Carlos Ferrata, Eduardo Ferroni, Kátia Melani, Moracy Amaral e Pablo Hereñú, que projetaram um edifício residencial em São Bernardo do Campo, São Paulo. O júri assinalou que o projeto "contribui positivamente com a qualidade geral da arquitetura da cidade, na medida em que consegue realizar, num programa de habitação coletiva, espaços de excelente qualidade aliados a uma linguagem refinada com economia de meios e simplicidade, adaptada ao contexto no qual se insere".
No campo teórico, o destaque foi o mineiro Rodrigo Almeida Bastos, autor de um ensaio crítico que pontuou a ordem urbanística na formação da capitania das Minas Gerais, no século 18. "O prêmio é muito estimulante ao desenvolvimento acadêmico, porque reafirma a necessidade da consciência reflexiva, ao mesmo tempo em que cria um elo com a prática do urbanismo e da arquitetura", explicou. A comissão julgadora na categoria ensaios críticos de arquitetura e urbanismo foi composta por Enio Moro Júnior, Maria Lucia Bressan Pinheiro e Marcos José Carrilho.