INVESTIDORES TRAZEM NOVA PROPOSTA DE ARQUITETURA AOS EDIFÍCIOS RESIDENCIAIS PAULISTANOS
A construtora Idea! Zarvos começou há dois anos os planos de nova proposta de empreendimentos imobiliários: edifícios residenciais com o selo Movimento Um, todos com assinatura de arquitetos renomados. A primeira cria, o Aimberê, nasceu das mãos do escritório Andrade Morettin e deve ficar pronta em agosto de 2008. A proposta traz às ruas de São Paulo - já tão desiludidas com os neoclássicos - traços bem pensados e nada das extravagâncias inventadas para diferenciar lançamentos imobiliários. Os prédios do Movimento 1 caracterizam-se por estar em terrenos pequenos e são para poucas famílias, com dez a 20 unidades por edifício. O Aimberê, por exemplo, tem 12 unidades com plantas livres. Essa foi a primeira experiência do escritório Andrade Morettin com o mercado imobiliário. "O grande mérito do projeto é a decisão de 'ir além'", analisa Marcelo Morettin. Na implantação, optou-se por afastar a edificação da rua, criando uma praça na entrada composta por planos inclinados que servem de acesso para o térreo e para a garagem. Já a volumetria é resultado da sobreposição das unidades habitacionais de um, dois, ou três andares. "Elas vão se encaixando como em um jogo de Lego", explica Morettin.
Assim, criam um volume escavado, com reentrâncias que marcam entrada, varandas e pátios. "Tivemos total liberdade. Recebemos apenas o programa, o terreno e a proposta de que o prédio tivesse personalidade forte. Na verdade, o que mais tolheu a gente foi a legislação de São Paulo", conta. Morettin lembra que muitos arquitetos têm preconceito de trabalhar com o mercado imobiliário - do mesmo modo em que há preconceito dos empreendedores em investir em boa arquitetura. "É uma bobagem. A cidade está sendo construída da pior maneira e, enquanto isso, estamos à margem", reflete.
Os empreendimentos, a princípio, serão em bairros urbanos e "descolados" de São Paulo, como Vila Madalena, Sumaré e Pinheiros. De acordo com Otávio Zarvos, diretor da Idea! Zarvos, não são prédios de altíssimo padrão e o preço está na média do mercado. O grupo investidor das unidades do Movimento1 se mantém, como a imobiliária Axpe que comercializa as unidades. Os próximos empreendimentos, já na prancheta, são assinados pelos escritórios Triptyque, Álvaro Puntoni e Frentes Arquitetura. Questionado se há mercado fora dos padronizados residenciais - uma das explicações dos incorporadores para não investir na arquitetura de autor -, Zarvos responde rápido: "A aceitação é enorme. As pessoas se surpreendem, se empolgam e passam a querer uma cidade mais bonita e gostosa de morar, com prédios de que a gente possa se orgulhar", conta. A intenção é ampliar a região e o público-alvo das obras. "No início, é mais fácil construir para a classe média alta descolada, para os formadores de opinião. Depois quero fazer prédios para quem não tem tanta grana e ir para bairros bem localizados, mas pouco aceitos pelos paulistanos, como o Centro e a Barra Funda, que têm muitos terrenos vazios e que possibilitariam fazer unidades mais baratas", explica Zarvos.
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