O CRISTO REDENTOR, NO BRASIL. A GRANDE MURALHA DA CHINA. A CIDADE DE PETRA, NA JORDÂNIA. O COLISEU DE ROMA. AS RUÍNAS INCAS DE MACCHU PICCHU, NO PERU. A ANTIGA CIDADE MAIA DE CHICHEN ITZA, NO MÉXICO. O TAJ MAHAL, NA ÍNDIA. O RESULTADO DO CONCURSO SETE NOVAS MARAVILHAS, ANUNCIADO NO INÍCIO DE JULHO, FOI MUITO CRITICADO EM TODO O MUNDO PELA FORMA E CRITÉRIOS COM QUE FOI ALCANÇADO. FORAM CERCA DE 100 MILHÕES DE VOTOS NA ELEIÇÃO, FEITA PELA INTERNET, MENSAGENS DE TEXTO E POR TELEFONE. DOS 21 CANDIDATOS AO TÍTULO DE UMA DAS SETE NOVAS MARAVILHAS DO MUNDO, NÃO HAVIA NENHUMA OBRA CONTEMPORÂNEA - COM EXCEÇÃO DA OPERA HOUSE DE SIDNEY - E NADA DO MOVIMENTO MODERNO. DIANTE DA POLÊMICA, AU PROCUROU ARQUITETOS E ENGENHEIROS PARA SABER QUAIS OBRAS NÃO PODERIAM FICAR DE FORA DA SELETA LISTA
O apogeu de civilizações e a grandeza dos povos propicia muitas vezes o surgimento de obras de caráter excepcional. Enumerá-las ou mesmo classificá-las é uma questão subjetiva, superada e sem sentido.
Dante Della Manna,
arquiteto
Gostaria de citar uma das indiscutíveis "maravilhas" que São Paulo deixou de ter: a Maharishi Tower, muito mais interessante que o Cristo Redentor, e com vocação de sete maravilhas. Mais uma vez, saímos perdendo.
Márcio Kogan,
arquiteto
Além de marcantemente bela, uma "maravilha" deve representar um estágio da humanidade em determinada época. Diante disso, e considerando o século 20, incluiria a ponte Akashi Kaiko, no Japão, projetada por Hoshu-Shikoku Office Bridge Construction. Ela é marcante pela tecnologia e por apresentar o maior vão livre possível - 1.991 m. Outra obra seria o Palácio do Congresso, em Brasília, de Oscar Niemeyer. Seu arrojo arquitetônico e de engenharia despertou dúvidas de possibilidade construtiva até em um dos maiores engenheiros de estruturas do mundo, Pier Luigi Nervi. Já o Parque Güell, em Barcelona, de Antoni Gaudí, surpreende pelas formas arquitetônicas e estruturais arrojadas para uma época em que a análise matemática estrutural estava apenas começando. Também elegeria o estádio de Munique, projetado para as Olimpíadas de 1972, de Frei Otto. As formas de duplas curvaturas feitas em malhas de cabos marcaram pela audácia formal e estrutural.
Yopanan Rebello,
engenheiro civil e calculista de estruturas
São tantas obras interessantes que fica difícil selecioná-las dessa forma. De qualquer maneira, acho que não poderia faltar a Torre Eiffel, em Paris, pelo seu forte simbolismo. O Viaduto de Millau, um marco da engenharia projetado por Norman Foster para o sudoeste da França, e algumas das catedrais francesas como, por exemplo, a de Chartres. Já o Cristo Redentor, em minha opinião, não merece estar nessa lista, pois não possui igual valor para a época de sua execução, como obra humana, destacando-se apenas pela natureza.
Julio Fruchtengarten,
engenheiro civil
É evidente que as produções moderna e contemporânea deveriam ter recebido maior cuidado. Os motivos para uma obra figurar na lista podem estar associados a razões subjetivas, afetivas, técnicas, tecnológicas e até mesmo políticas. Mas mesmo as obras que representam momentos únicos do percurso histórico da produção das civilizações não estão representadas. O aspecto "indiscutível" das obras selecionadas acabou por produzir uma lista correta, mas pouco atraente. Seria mais coerente não acrescentar escolhas pessoais, mas vou acrescentar apenas três para tornar mais claro meu ponto de vista. A primeira é o plano piloto de Brasília pelo significado de sua realização autoral no Brasil. A segunda, por razões quase opostas, é a Piazza San Marco, em Veneza, por ser um espaço público construído ao longo da história, desde o século 8, com a Catedral de San Marco, até o século 19 quando Napoleão III fecha a face oeste com o edifício do atual Museu Correr. As inúmeras transformações e acréscimos da Piazza ao longo da história se integraram produzindo um espaço permanentemente contemporâneo. E a terceira é a Golden Gate de San Francisco, nos Estados Unidos, pela conjugação da qualidade técnica com uma extraordinária beleza formal e integração na paisagem.
Regina Meyer,
arquiteta e urbanista
Da primeira metade do século passado citaria, em primeiro lugar, o Ministério da Educação e Cultura, hoje Palácio Gustavo Capanema, obra máxima da arquitetura mundial, criada nas pranchetas de Le Corbusier, Lucio Costa e Oscar Niemeyer. Foi um dos edifícios que mais me emocionou ao fotografar. Não posso também deixar de citar diversos outros edifícios que sempre me impressionaram: a elegante residência de Maria Luisa e Oscar Americano, a ousada Estação Largo 13 de Odiléa e João Walter Toscano, a Pinacoteca do Estado, recriada por Paulo Mendes da Rocha e o prédio da FAUUSP, de Vilanova Artigas, com suas rampas majestosas.
Cristiano Mascaro,
fotógrafo
