A preocupação com os recursos do planeta está presente tanto na conceituação técnica do projeto quanto em sua própria essência: a equipe da Gesto Arquitetura trabalhou no detalhamento das tecnologias empregadas na Escola Superior de Conservação Ambiental e Sustentabilidade – ou Universidade do Meio Ambiente – com o objetivo de diminuir seu impacto ambiental. O projeto, programado para ficar pronto no final de 2008, está localizado em Nazaré Paulista, uma região montanhosa do Estado de São Paulo, de onde se originam as nascentes da bacia do Atibaia. O local é caracterizado pela sobreposição de duas Apas (Área de Proteção Ambiental), responsáveis pela captação de água e abastecimento da região metropolitana de São Paulo e de Piracicaba, no interior paulista. "Por se tratar de um terreno com muitas nascentes e unidades de paisagem, pensamos na revegetação da área e na proteção das encostas para ajudar a restabelecer a conectividade da fauna", conta o arquiteto Newton Massafumi, um dos responsáveis pelo projeto. Os desníveis acentuados no terreno, por exemplo, fizeram com que se adotasse um eixo transversal para a disposição dos blocos de edificações, que tiveram poucos apoios no solo: cerca de 12 pontos que se decompõem em ramais semelhantes aos das estruturas das árvores.
Outros sistemas estruturais também procuram valorizar a madeira certificada, mas alia-da ao aço, caso das vigas vagonadas. O material, proveniente de reflorestamento, será adotado em toda a estrutura de pisos, pilares e vigas. "Com exceção da laje do pavimento térreo, de concreto, as demais serão executadas em madeira", revela Yamato.
A iluminação natural é outro ponto-chave: a edificação é fechada com vidros, sem face-cega na vertical. Laminados e coloridos, os vidros funcionarão como orientação aos pássaros da região evitando possíveis colisões durante o vôo. Na parte externa, brises envolvem a construção, atuando como um filtro luminoso. "Estamos desenvolvendo estudos para que essa veneziana seja automática, abrindo e fechando conforme a carga energética necessária para a área residencial e pedagógica", conta Massafumi. Ainda na fachada serão dispostas bandejas metálicas de 80 cm de largura para reflexão da energia solar nas áreas internas.
A redução do consumo energético poderá ser viabilizada também com a iluminação zenital na cobertura, que irá atingir os pavimentos inferiores, visto que o intermediário conta com pisos de vidros complementados com madeira. Além da iluminação natural, os brises foram concebidos para atender à ventilação. O processo deve se originar na parte inferior dos edifícios, onde estão os pilotis, com o auxílio de um shaft. O ar será conduzido pelo interior da edificação com saída pelas partes superiores dos caixilhos. "Como é uma região montanhosa, estamos desenvolvendo estudos e adaptações para controlar a entrada do ar conforme as variações climáticas anuais", revela Massafumi.
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