Uma edificação leve, transparente e horizontalizada. Era isso que os arquitetos cariocas Paulo Jacobsen e Thiago Bernardes queriam ao conceber a Casa das Três Irmãs, localizada no condomínio Portogalo, em Angra dos Reis, litoral do Rio de Janeiro. O aço foi considerado pela dupla a melhor opção para compor a estrutura da construção, cujos espaços amplos e as grandes aberturas permitem o desfrute da paisagem entre o mar e as montanhas. O terraço de frente para o mar e um jardim formam um entorno para aproveitar os momentos de descanso e, sobretudo, as vistas do oceano.
A estrutura esbelta e os fechamentos de vidro produzem um efeito de leveza e luminosidade. A opção pelo aço, em vez do concreto, permitiu a criação de colunas e vigas de dimensões reduzidas. O engenheiro Maurício Tupinambá, responsável pelo cálculo estrutural da obra, conta que foi realizado um trabalho quase artesanal. "Aqui, as lajes não estão apoiadas nos topos dos perfis, mas em cantoneiras fixadas em ambos os lados do perfil, deixando apenas 1,5 cm para passagem dos ferros negativos", explica.
Em contraste com o branco, a peroba que reveste pisos e forros do primeiro pavimento reforça a horizontalidade da construção. "Queríamos uma casa discreta, que 'sumisse' no terreno", explica Jacobsen. Congruente com essa idéia, o pavimento pilotis, no térreo, libera o máximo de espaço para apreciação da vista, além de interferir o mínimo na topografia e vegetação locais.
A casa foi implantada em um terreno em acentuado declive, de modo que é possível avistar a cobertura da rua de acesso. Pastilhas de porcelana e vidro na cor azul-esverdeado revestem a laje que, nas palavras de Jacobsen, se confunde com o oceano ao fundo. O mesmo se passa com a piscina no terraço, que parece se emendar com o mar. Paredes de pedra fazem a contenção do terreno, ao mesmo tempo em que delimitam as áreas de serviço e a sauna.
Um dos aspectos que mais chama a atenção é o esmero com que os detalhes construtivos foram criados pelos arquitetos. Um exemplo é o beiral de vidro que protege as fachadas da chuva sem pesar na composição ou mesmo esconder o céu. Outros são os bancos corridos em balanço presos à estrutura da fachada por meio de mãos-francesas metálicas. Revestidos com tiras de madeira de 7 cm de largura, eles funcionam como uma extensão da área íntima, de onde é possível apreciar vistas panorâmicas do oceano.
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