Fechado para reforma desde 1999, o Planetário do Ibirapuera foi reaberto ao público no final de 2006, inteiramente restaurado e modernizado. O projeto, do escritório Paulo Faccio e Pedro Dias Arquitetura, escolhido por uma licitação aberta pela prefeitura de São Paulo em 2002, buscou consolidar a imagem da edificação, interferindo o mínimo no seu aspecto formal externo. Internamente, foram realizadas adaptações e mudanças exigidas pelo uso contemporâneo e pelos novos aparelhos incorporados. "A intervenção diz respeito a uma das obras do conjunto mais representativo da arquitetura modernista da cidade de São Paulo, o Parque do Ibirapuera, projetado por Oscar Niemeyer nos anos 1950", ressalta Pedro Dias. "Elaborado um pouco antes do projeto da capital federal, o do Parque do Ibirapuera parece anunciar o que Niemeyer faria a seguir, em uma escala ainda maior", acrescenta Dias.
O projeto original do Planetário do Ibirapuera (1957) é assinado por Roberto Goulart Tibau, Eduardo Corona e Antonio Carlos Pitombo. Esses três arquitetos também projetaram a Escola de Astrofísica, ao lado do planetário, que está sendo restaurada pelo arquiteto Edson Elito. Planejado de acordo com os conceitos e princípios que nortearam a produção arquitetônica da época, integrando-se às demais edificações do conjunto, o Planetário do Ibirapuera apresenta forma e estrutura singulares, com cúpula de concreto armado semi-esférica recoberta por uma estrutura radial de arcos parabólicos de madeira laminada e cobertura de folhas de alumínio. O prédio, com mezanino, é semi-enterrado, com uma rampa de acesso para o público que mergulha suavemente no interior. "Essa concepção de acesso foi posteriormente utilizada por Niemeyer no projeto da Catedral de Brasília, de forma bem mais dramática, pois após o mergulho na rampa, o visitante penetra em um túnel negro, para finalmente chegar à nave luminosa", lembra Dias. Inaugurado em 1957, o Planetário do Ibirapuera, o primeiro da América Latina, é tombado pelo Conpresp (Conselho Municipal de Tombamento e Preservação do Patrimônio Histórico, Cultural e Ambiental da cidade de São Paulo) e pelo Condephaat (Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico do Estado de São Paulo).
Antes de definirem a proposta de recuperação do Planetário, Paulo Faccio e Pedro Dias se muniram do maior número possível de informações sobre a edificação, como plantas, relatórios técnicos e reportagens de vários períodos oferecidos pela Secretaria do Meio Ambiente, à qual o Planetário está ligado. E, além de suas próprias avaliações e levantamentos históricos, métricos e fotográficos, a dupla analisou as mudanças efetuadas no projeto de arquitetura e as transformações ocorridas ao longo dos mais de 40 anos de funcionamento do edifício. As diretrizes básicas de uso do novo Planetário, apresentadas pela prefeitura, foram usadas como roteiro do trabalho de atualização tecnológica e funcional.
Roberto Tibau era o único dos autores do projeto original vivo e foi convidado a participar da elaboração da primeira versão da proposta. Itens como a abertura de janelas para ventilação e iluminação dos ambientes sob o mezanino foram não apenas incentivados por Tibau, mas também alvo de sugestões incorporadas à proposta definitiva. "Infelizmente Roberto Tibau faleceu um pouco antes da conclusão do projeto", lamentam os arquitetos.
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